O setor de planos de saúde encerrou o primeiro trimestre com lucro operacional de R$ 3,5 bilhões, o que representa uma queda de 22% sobre o mesmo período do ano passado, de acordo com dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Considerando o lucro líquido (cálculo que inclui os ganhos financeiros), a queda foi de 11,5% para R$ 6,1 bilhões no acumulado dos três primeiros meses do ano. As aplicações financeiras das operadoras (que são obrigadas a manter reservas) totalizaram R$ 140,5 bilhões, com um resultado financeiro de R$ 3,6 bilhões, no trimestre.
A receita das operadoras somou R$ 86,7 bilhões, alta de 8,55% sobre igual período de 2025.
A sinistralidade (percentual da receita usado para cobrir despesas assistenciais) chegou a 81%, ficando 1,8 ponto percentual acima do registrado no primeiro trimestre de 2025. “Esse resultado foi influenciado por fatores atípicos para o período, como o reconhecimento de provisão técnica voluntária por uma das maiores operadoras do setor, aporte de recursos pelo mantenedor de uma operadora de autogestão”, segundo a ANS.
Entre as operadoras, o melhor resultado operacional foi apurado pela Bradesco Saúde, cujo indicador ficou em quase R$ 1,1 bilhão no primeiro trimestre, seguida pela Amil, com lucro de R$ 473 milhões.
A agência reguladora destacou ainda que o resultado operacional das operadoras de pequeno porte mais do que triplicou em relação ao mesmo período do ano anterior.
“O setor segue apresentando resultados positivos, com estabilidade em relação ao ano anterior e a maior parte das operadoras operando com lucro. Com a atualização do Atlas, também avançamos na transparência sobre o funcionamento do mercado e no acompanhamento da concorrência do setor”, destacou Jorge Aquino, diretor de Normas e Habilitação das Operadoras da ANS.
O Itaú BBA destacou em seu relatório sobre as provisões de eventos ocorridos e ainda não avisados (Peona) que vem subindo de forma relevante em especial, puxado pelas seguradoras — o que vem acendendo um alerta sobre aumento dos custos médicos.
Segundo os analistas do banco, o grupo SulAmérica registrou uma provisão (Peona) de aproximadamente R$ 610 milhões no primeiro trimestre de 2026, um valor significativamente maior em relação ao trimestre anterior, que foi de R$ 26 milhões no primeiro trimestre de 2025, e representando um aumento de 15% em relação ao ano anterior. “Isso indica que a empresa aumentou materialmente suas provisões técnicas. No restante do setor, as tendências de constituição da Peona continuaram a se suavizar.”
A Bradesco Saúde registrou uma provisão de cerca de R$ 17 milhões no trimestre em comparação com uma provisão de R$ 149 milhões no quarto trimestre de 2025. “Consequentemente, a sinistralidade caixa diminuiu para 77,7% para a principal subsidiária da empresa, Bradesco Saúde S.A., significativamente menor em relação ao trimestre anterior [-7,3 pp], mas ligeiramente maior em relação ao ano anterior."
Na Hapvida, os analistas do Itaú BBA observaram que o valor médio de atendimento ficou em R$ 289 por beneficiário por mês, representando um crescimento de 7% em relação ao ano anterior e de 1% em relação ao trimestre anterior. Já na NotreDame Intermédica, que concentra as atividades mno mercado paulista, apresentou um valor médio de atendimento de R$ 337, por mês, o equivalente a 2% menor em relação ao trimestre anterior e estável em relação ao ano anterior, evidenciando um cenário mais competitivo na região Sudeste.