O rastreamento do câncer de próstata passa por uma mudança de paradigma. Depois de décadas apoiado principalmente no PSA e no toque retal, o debate começa a avançar para modelos mais individualizados, capazes de identificar melhor quem realmente precisa de investigação, biópsia e tratamento.
Esse foi o tema do novo episódio do Podcast Hospitalar: Estúdio Saúde Business, gravado diretamente da Hospitalar 2026. A conversa recebeu Gustavo Guimarães, coordenador dos Departamentos Cirúrgicos Oncológicos e da Medicina Genômica, da BP, e colunista do portal.
Segundo Guimarães, o desafio histórico do rastreamento populacional está no equilíbrio entre diagnóstico precoce e excesso de intervenção. O PSA, embora tenha contribuído para antecipar diagnósticos, não indica necessariamente a presença de um câncer clinicamente significativo. Alterações benignas, inflamações e infecções também podem modificar o resultado do exame, gerando encaminhamentos, biópsias e tratamentos que nem sempre seriam necessários.
A proposta de novos modelos é sair da lógica do “um tamanho para todos” e incorporar variáveis como história familiar, fatores de risco, origem populacional, exames de imagem e, progressivamente, informações genéticas. Nesse contexto, a ressonância magnética e a estratificação de risco passam a ajudar na seleção dos pacientes que realmente devem seguir para etapas mais invasivas da investigação.