Os profissionais de saúde do Brasil estão em busca de reconhecimento. Uma pesquisa realizada pela Adecco em parceria com o LinkedIn aponta que 94% dos trabalhadores da categoria se sentem pouco, parcialmente ou nada valorizados pelo mercado. O levantamento ouviu 1.135 trabalhadores da área da saúde sobre os desafios, percepções e perspectivas de carreira no setor.
Entre os principais desafios apontados estão a baixa remuneração, citada por mais da metade dos respondentes; a falta de oportunidades de crescimento, apontada por 46%; e a sobrecarga de trabalho.
“Há ainda um achado que vai além das opções fechadas do questionário: quando os profissionais tiveram espaço para se expressar livremente, a palavra que mais emergiu foi ‘reconhecimento', não ‘salário’”, revela Guilherme Nejm, diretor de marketing, experiência do cliente e inovação da Adecco. “Isso indica que a insatisfação tem uma dimensão simbólica muito relevante. O profissional da saúde quer remuneração justa mas, sobretudo, que o cuidado que entrega diariamente seja percebido e valorizado pelas instituições”.
O especialista conta que biomédicos e farmacêuticos figuram entre os grupos com maior percepção de desvalorização. “A enfermagem, que sustenta operacionalmente o atendimento, também expressa esse desconforto de forma expressiva”, diz.
No entanto, ele relata que nenhuma categoria ficou abaixo de 60% de percepção de desvalorização. “Isso nos diz que não estamos diante de um problema isolado de uma profissão específica, mas de um sinal sistêmico que o setor como um todo está emitindo”, analisa.
O estudo revela também que, no último ano, cerca de 10% dos profissionais da área da saúde no país mudaram de emprego. Apesar disso, Nejm explica que os trabalhadores ainda querem permanecer no setor e afirma que o desafio das organizações é criar as condições para que ele queira permanecer na mesma instituição.
“A grande maioria não demonstra intenção de abandonar a área da saúde. Os principais objetivos declarados são progressão na carreira atual e especialização técnica”, detalha. “Quando ocorre a troca de emprego, ela é motivada, na maior parte dos casos, pela busca de melhores condições, maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional e remuneração mais competitiva, e não pela saída do setor”.
Na opinião do diretor, as empresas que investirem em desenvolvimento, em ferramentas digitais e em um ambiente mais humano encontrarão profissionais prontos e dispostos a crescer junto com elas. “A equação de retenção envolve remuneração justa, perspectiva de crescimento visível e uma jornada de trabalho sustentável”, elabora.
Tecnologia na saúde
Ainda de acordo com o estudo, 92% dos respondentes avaliam o impacto da tecnologia de forma positiva ou muito positiva, sinalizando um setor receptivo à transformação, à atualização constante e a novos formatos de atuação profissional.
Segundo o LinkedIn, existem atualmente 2,4 milhões de profissionais da saúde na plataforma, dos quais cerca de 66% atuam na linha de frente, ou seja, diretamente no cuidado com pacientes e na operação dos serviços de saúde. Desses, 74% afirmam utilizar a rede social profissional diariamente ou algumas vezes por semana.
“Além dos profissionais que atuam na linha de frente, também observamos a presença de lideranças hospitalares, gestores, pesquisadores, professores, profissionais da indústria da saúde e especialistas de diferentes áreas”, enumera Milton Beck, diretor geral do LinkedIn para a América Latina e África. “Entre os cargos com maior presença na plataforma estão técnico de enfermagem, enfermeiro, médico, fisioterapeuta, psicólogo e farmacêutico”.