A farmacêutica Prati-Donaduzzi entrou no mercado de testes rápidos, dominado por fabricantes chinesas. Esse é um setor que movimenta cerca de R$ 1 bilhão no Brasil e US$ 25 bilhões no mundo.
O laboratório do Paraná decidiu diversificar sua operação, que hoje é concentrada em medicamentos genéricos, para aproveitar sua estrutura de distribuição e aumento na demanda de testes rápidos. Esse é o segundo movimento de diversificação da farma que, há cinco anos, entrou no segmento de remédios sem prescrição (OTC). Essa área representa 10% da receita que deve encerrar o ano em R$ 2,6 bilhões.
Após 2023, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou farmácias realizarem cerca de 40 exames simples de análises clínicas, esses estabelecimentos vêm intensificando a oferta de serviços de saúde. “Queremos aproveitar esse momento do varejo farmacêutico. E, com a telemedicina, há uma demanda por testes rápidos. Ao mesmo tempo, após a pandemia da covid, as pessoas estão mais abertas a esses exames”, disse Eder Maffissoni, CEO da Prati-Donaduzzi.
Segundo Maffissoni, o laboratório tem uma estrutura própria — com 30 centros de distribuição, frota de caminhões e equipe com quase 1 mil pessoas — que é o diferencial da Prati em relação à concorrência para fazer chegar os novos produtos ao varejo farmacêutico. “De um total de 93 mil farmácias, distribuímos diretamente para 70 mil, que operam de forma legalizada. Entramos há menos de um mês nesse mercado e já distribuímos testes para cerca de 5 mil farmácias”, disse.
Atualmente, a Prati está comercializando testes de gravidez, dengue e covid. No decorrer deste ano, a meta é ofertar também exames para diagnóstico rápido de diabetes e influenza. “Estamos entrando com preços agressivos, temos experiência com o mercado de genéricos”, disse.
Nessa primeira fase, o laboratório está importando os testes de um fabricante da China. Os produtos são comercializados, no Brasil, com a marca da Prati que obteve as devidas autorizações de registro na Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa).
“Estamos em fase piloto, queremos entender melhor esse mercado. A próxima etapa já será de desenvolvimento e pesquisa para produção própria dos testes. Acredito que em cinco anos já estaremos produzindo”, disse o CEO da Prati.
O executivo não revelou o investimento, nem tampouco a fatia que esse novo negócio pode vir representar. A farmacêutica investe um total de 7,5% da receita líquida em P&D (pesquisa e desenvolvimento). O faturamento estimado de R$ 2,6 bilhões em 2026, representa um crescimento entre 12% e 15% sobre o registrado em 2025.
O projeto da Prati contempla ainda ofertar testes rápidos para a rede pública de saúde. Hoje, 15% da receita do laboratório vem de licitações do governo.