Brasil ultrapassa a marca de 12 bilhões de registros digitais na APS
15/07/2026

O Brasil ultrapassou a marca de 12,4 bilhões de registros digitais na Atenção Primária à Saúde (APS), segundo levantamento realizado pelo Instituto epHealth a partir de dados públicos do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), plataforma do Ministério da Saúde. O volume acumulado entre 2013 e março de 2026 posiciona o país entre os ambientes com maior potencial para o desenvolvimento de estudos baseados em Evidências de Mundo Real (Real-World Evidence – RWE).

O levantamento mostra que 2025 registrou o maior volume anual desde a criação do sistema, com 1,96 bilhão de ações de saúde registradas digitalmente. O resultado representa uma média de 163,3 milhões de registros por mês ou 5,4 milhões por dia. Desde 2014, primeiro ano completo de operação do SISAB, o volume anual cresceu 37 vezes.

Entre os registros acumulados estão 5,2 bilhões de visitas domiciliares realizadas por equipes da Atenção Primária, 3,9 bilhões de procedimentos, 2,8 bilhões de atendimentos individuais e 444 milhões de atendimentos odontológicos. Apenas em 2025, foram contabilizadas 785 milhões de visitas domiciliares em todo o país.
 

Crescimento da digitalização

Criado para reunir informações produzidas pelas equipes de Saúde da Família e demais profissionais da Atenção Primária, o SISAB passou a registrar, ao longo dos últimos anos, dados de todos os municípios brasileiros. Cada registro reúne informações como tipo de atendimento, data e localização, formando uma base histórica de alcance nacional.

Os dados analisados pelo Instituto epHealth mostram que o sistema manteve trajetória consistente de expansão. Após registrar 53,3 milhões de registros em 2014, o volume anual alcançou 1,96 bilhão em 2025. Nos três primeiros meses de 2026, já haviam sido contabilizados 498 milhões de registros, ritmo que projeta um novo ano próximo da marca de 2 bilhões de ações registradas.

Para Pedro Marton Pereira, CEO da epHealth e fundador do Instituto epHealth, a consolidação dessa infraestrutura digital amplia as possibilidades de geração de conhecimento a partir da realidade da população brasileira.

“Nos últimos anos, o Brasil construiu uma base de informações em saúde com escala nacional e presença em todos os territórios do país. Esse patrimônio cria oportunidades para aprofundar o entendimento sobre doenças, acesso aos serviços de saúde, efetividade de intervenções e desafios da população atendida na Atenção Primária”, afirma.

Potencial para evidências de mundo real

Segundo o levantamento, o conjunto de dados reúne características consideradas estratégicas para o desenvolvimento de estudos de Real-World Evidence, modalidade que transforma dados gerados no cotidiano dos serviços de saúde em evidências para avaliar efetividade de tratamentos, padrões epidemiológicos, impacto de políticas públicas e oportunidades de prevenção.

Entre os diferenciais apontados estão a abrangência nacional, a diversidade populacional, a cobertura das 27 unidades federativas e a disponibilidade de uma série histórica contínua iniciada em 2013.

“Diferentemente das bases ambulatoriais e hospitalares tradicionalmente utilizadas em análises de saúde pública, a digitalização da Atenção Primária abre uma nova fronteira para a geração de evidências. Por registrar o primeiro contato da população com o sistema de saúde, esses dados permitem identificar fatores de risco, sinais precoces de doenças, trajetórias de cuidado e possíveis barreiras de acesso aos serviços antes que os pacientes alcancem níveis mais complexos de atendimento”, explica Pereira.

O executivo também ressalta que existe uma percepção de que a Atenção Primária atua exclusivamente no cuidado de pacientes com doenças crônicas ou na saúde materno-infantil. “Como porta de entrada do sistema de saúde, ela acompanha toda a população de um território ao longo da vida. Isso significa que mesmo pacientes com doenças raras, câncer e outras condições complexas, após o diagnóstico, continuam sendo acompanhados por esse nível de atenção, criando uma oportunidade única para compreender sua jornada assistencial de forma longitudinal”, complemente.

O estudo destaca que a utilização desse potencial depende de avanços contínuos na qualidade dos registros, integração entre bases de dados e governança das informações. Questões relacionadas à proteção de dados, segurança da informação e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) são apontadas como elementos centrais para o desenvolvimento sustentável desse ecossistema.

“O volume de registros representa um ponto de partida importante, mas a geração de evidências exige rigor metodológico, qualidade dos dados e governança. O desafio é transformar essa capacidade instalada em conhecimento que contribua para a saúde da população e para o fortalecimento das políticas públicas”, diz Pereira.

Destaques regionais

O levantamento também analisou os registros acumulados por habitante em cada Unidade Federativa. Tocantins lidera o ranking nacional, com 92,8 registros per capita entre 2013 e março de 2026. Na sequência aparecem Paraíba, com 88,2 registros por habitante, e Santa Catarina, com 85,3.

Os resultados evidenciam diferenças regionais na organização da Atenção Primária. Estados do Nordeste apresentam destaque em visitas domiciliares, refletindo a atuação das equipes comunitárias de saúde, enquanto a região Sul concentra alguns dos maiores indicadores relacionados a registros clínicos e procedimentos.
 





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