Mercado de plano de saúde desacelera, após cinco anos de expansão
17/07/2026

Matéria corrigida às 10h40. O incremento de1,7 milhão de usuários é do acumulado nos cinco primeiros meses do ano desde 2020. No acumulado dos anos completos, o aumento foi de 5,5 milhões. 

Desde a deflagração da pandemia, em 2020, o mercado de planos de saúde registra expansão. De lá para cá, houve um incremento de 5,5 milhões de usuários e, atualmente, são 53 milhões de beneficiários de convênio médico no país. No entanto, o crescimento vem desacelerando e, agora, há uma estagnação. No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, as operadoras tiveram um aumento de 91,4 mil vidas, o que representa uma variação de apenas 0,2% no intervalo. Nos períodos equivalentes dos anos anteriores, o crescimento ficou entre 1,4% e 2,8%. No acumulado dos cinco primeiros meses desde 2020, o incremento foi de 1,7 milhão. 

“Há muito tempo nos questionamos até quando o setor vai crescer porque os números vêm surpreendendo. Mas há uma desaceleração importante neste ano. É o pior desempenho considerando os cinco primeiros meses desde 2020”, disse Luiz Feitoza, sócio da Arquitetos da Saúde, que fez o levantamento. 

Para efeitos de comparação, nos cinco primeiros meses de 2024 e 2025, o setor viu a base ter um adicional de 146 mil e 341 mil usuários, respectivamente. 


 

Entre janeiro e maio, a Hapvida, maior empresa do setor, perdeu 82 mil usuários, principalmente em São Paulo. Parte relevante foi para a Amil, que está com uma política de preços agressivo e apurou, no período, alta de 113,5 mil vidas. 

A Hapvida informou que “acompanha permanentemente a evolução de sua base de beneficiários e vem conduzindo, desde o início do ano, uma revisão estruturada de seu portfólio, de seus processos comerciais e do relacionamento com os clientes. E, mantém seu compromisso com o crescimento sustentável e com a qualidade assistencial.” 

Renato Manso, CEO da Amil, disse, em nota, que a companhia “vem crescendo com muito empenho para conquistar novos clientes e manter a satisfação de quem já está conosco. Além de disponibilizarmos uma ampla oferta de produtos, que atende vários segmentos econômicos, também entregamos serviços de qualidade para crescer com consistência.” 
 

A Bradesco Saúde teve o melhor desempenho do setor, com incremento de 187 mil. Na SulAmérica, a alta foi de 61,4 mil e na Porto, de 59,8 mil. Os números são baseados em dados da ANS e consideram a diferença entre contratações e cancelamentos. 

A Fenasaúde, entidade que representa o setor, tem duas estimativas para o ano. A mais modesta mostra variação de 0,94% e outra, mais otimista, prevê alta de 1,88%. Apesar de já haver dados até maio, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) pode fazer ajustes, inclusive retroativos, na base de usuários porque algumas operadoras enviam dados atrasados. 

 

Os planos adquiridos por micro e pequenas empresas têm um menor preço. Ou seja, a expansão do setor veio mais da base e do meio da pirâmide. Porém, o custo da saúde sobe em ritmo elevado. Um dos motivos é que, desde 2021, a ANS inclui de forma sistemática novos procedimentos médicos na lista de coberturas obrigatórias a todos os convênios médicos. Antes, isso ocorria a cada dois anos. 

Em 2025, foram realizados, com convênio médico e dental, 2 bilhões de procedimentos, que custaram R$ 307,5 bilhões, incremento de 11,1% sobre 2024. 

Feitoza disse que “houve redução de coberturas para tornar o produto acessível”. “Mas já houve muito ‘downgrade’, não vejo espaço para muito mais redução. Agora, estão cobrando dos dependentes, mas já aumentaram coparticipação, cobertura virou regional, plano sem reembolso.” 

Outro fenômeno é a judicialização, que voltou a crescer. O número de novos processos, entre janeiro e maio, atingiu quase 155 mil casos, alta de 20% sobre igual período de 2025, segundo o Conselho Nacional da Justiça (CNJ). 

“Há um cenário de litígios cada vez mais desafiador e vai contra as expectativas iniciais de repercussões positivas sobre a decisão restritiva do Supremo Tribunal Federal (STF). Assim, as tendências atuais sugerem que não há alívio no curto prazo nos custos judiciais para grandes operadoras, com o risco de aceleração adicional”, dizem os analistas Leandro Bastos e Renan Prata, do Citi. 

Em setembro de 2025, o STF determinou que os planos devem cobrir tratamentos fora da lista obrigatória da ANS, desde que sigam cinco critérios técnicos. Com essas exigências, acreditava-se que haveria queda na judicialização. No primeiro trimestre, 59% das novas ações judiciais, que somaram quase R$ 3 bilhões, foram para cobrir procedimentos fora do rol de procedimentos obrigatórios. 

Após amargar prejuízo de R$ 15,5 bilhões entre 2021 e 2023, o setor vem de uma retomada de crescimento nos últimos dois. Em 2025, as operadoras apuraram lucro operacional de R$ 10,2 bilhões, mais do que o dobro de 2024. No primeiro trimestre, a receita ficou em R$ 86,7 bilhões e o lucro operacional somou R$ 3,8 bilhões. 

Outro ponto que tem ajudado é a rotatividade de planos de saúde, que gira na casa dos 30%. A cada troca de operadora há a imposição de carências de cobertura. Com isso, as operadoras arrecadam receita com o pagamento das mensalidades, mas têm custos menores. 

O setor hospitalar, que foi muito pressionado durante a crise das operadoras, diz que esse movimento continua mesmo com a melhora dos resultados dos planos de saúde. Segundo a Anahp, os hospitais reduziram sua participação nas despesas e composição da inflação médica no trimestre. 

“A recuperação das operadoras é positiva e necessária para toda a cadeia da saúde suplementar. Entretanto, é fundamental que esse movimento também se reflita na sustentabilidade dos hospitais”, disse Antônio Britto, diretor-executivo da Anahp. 

Segundo Gustavo Ribeiro, presidente da Abramge, entidade das operadoras, o desempenho do setor é reflexo de 2026 ser um ano mais fraco, com eleições, Copa do Mundo e feriados, mas ainda é cedo para afirmar que será um ano ruim para o setor. Ribeiro pondera que o “horizonte para crescimento é limitado” devido à uma regulamentação engessada. 

A FenaSaúde informou que, com a taxa de desemprego em nível historicamente baixo, as incertezas típicas em ano eleitoral e juros ainda em patamares elevados, espera-se que o cenário ao final de 2026 seja de estabilidade ou de leve crescimento sobre 2025.” 





Obrigado por comentar!
Erro!
Contato
+55 11 5561-6553
Av. Rouxinol, 84, cj. 92
Indianópolis - São Paulo/SP