A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (29) o registro de cinco novas canetas com semaglutida. Agora, o país conta com seis remédios aprovados com a molécula, a mesma usada nas canetas emagrecedoras da dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, desde que ela perdeu a exclusividade em março. Entre os novos medicamentos estão aqueles que serão vendidos pela farmacêutica suíça Sandoz, pelo laboratório brasileiro Hypera e pelo laboratório indiano Sun Pharma.
As canetas usam semaglutida sintética e não se enquadram como genéricas, já que a legislação não permite a fabricação de genéricos de produtos biológicos, caso do princípio ativo do Ozempic. Foram classificadas como medicamento novo, alternativa sintética do produto biológico, assim como o Ozivy, a caneta com semaglutida da EMS, farmacêutica brasileira do conglomerado de Carlos Sánchez, até então única com semaglutida sintética registrada no país.
Os registros são para o Owozy, caneta que será vendida pela Sandoz, a partir de parceria com a Ávita Care e com o laboratório europeu Adalvo; para o Seemasun, da farmacêutica indiana Sun Pharma; para o Orsema, caneta do laboratório Ranbaxy, também controlado pela indiana Sun Pharma; para o Zempneo, da farmacêutica brasileira Brainfarma, controlada da Hypera; e para a Semavy, da também subsidiária da Hypera, Cosmed, resultado de parceria com a indiana Sun Pharma.
Todos os cinco remédios são indicados para o tratamento de diabetes.
Ao Valor, a Hypera disse que a expectativa é que o Semavy chegue às farmácias em dois meses. “[Esse medicamento] Tem potencial para ser um dos principais produtos da Hypera, dado o tamanho desse mercado”, disse o presidente do laboratório Breno de Oliveira. A Hypera disse que o Zempneo trata-se de segunda marca, ainda sem planos de lançamento no curto-prazo.
Já a Sandoz disse que o lançamento do Owozy nas farmácias deve acontecer entre setembro e outubro. “Passamos a ser responsáveis por levar essa molécula ao mercado, com a Adalvo sendo detentora da tecnologia, do desenvolvimento dessa molécula e da fabricação”, informou à reportagem a presidente da subsidiária brasileira do laboratório, Isabella Wanderley, que já foi gerente-geral da Novo Nordisk, agora concorrente no mercado de semaglutida.
A chegada de cinco concorrentes deve intensificar ainda mais a disputa pelo consumidor em um mercado de semaglutida que movimentou R$ 5,6 bilhões em vendas no ano passado, segundo dados da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac) com a IQVIA. Junto com a tirzepatida, molécula do Mounjaro, a caneta emagrecedora da americana Eli Lilly, esse segmento deve movimentar R$ 35 bilhões no mercado formal até 2030, de acordo com o Itaú BBA.
A entrada da EMS neste mercado com preços mais baixos já tinha provocado reações na Novo Nordisk e no laboratório brasileiro Eurofarma. As duas mantêm parceria na qual a brasileira distribui versões locais das canetas da dinamarquesa. Ambas têm adotado condições de preço especiais para pacientes do programa de suporte dos laboratórios.
Até a Lilly chegou a anunciar recentemente descontos na compra de combos, movimento que surpreendeu analistas que esperavam a manutenção de preços, já que o laboratório usa molécula de efeito duplo e que está protegida por patente até 2036.
“Cada redução no preço parece desbloquear uma onda de usuários que antes estavam fora do mercado por causa do custo”, disseram recentemente analistas do Itaú BBA.
A agência reguladora brasileira disse que desde que o Ministério da Saúde priorizou a análise de medicamentos com semaglutida e liraglutida, este último princípio ativo da primeira geração de remédios metabólicos da Novo Nordisk, 11 dos 24 medicamentos sintéticos e biológicos inscritos no edital edital de chamamentos que buscou acelerar as análises já tiveram a avaliação concluída, resultando em seis aprovados.
“O crescimento de pedidos de aprovação de agonistas de GLP-1 [classe de remédio das canetas emagrecedoras] está relacionado ao desenvolvimento, em 2022, de versões sintéticas, criadas em laboratório, do hormônio natural GLP-1, que estimula a produção de insulina e atua no controle da saciedade”, afirmou, em nota.
Segundo a Anvisa, 68% de todas as solicitações de registro de dispositivos injetáveis para o tratamento de obesidade e diabetes já protocoladas são para medicamentos sintéticos.