Em parceria com laboratório Adalvo, Sandoz ingressa no mercado de semaglutida com Owozy
29/07/2026

Em parceria com a Ávita Care e com o laboratório europeu Adalvo, a farmacêutica suíça Sandoz ingressou no mercado brasileiro de semaglutida com o Owozy, uma das cinco novas canetas com a molécula aprovadas nesta quarta-feira (29) pela Anvisa, a agência reguladora brasileira. O princípio ativo é o mesmo usado nas canetas emagrecedoras da dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, desde que ela perdeu a exclusividade em março. 

A entrada no mercado de análogos do GLP-1, como é chamada a classe de medicamentos que imitam hormônios para regular o apetite e o metabolismo, abre globalmente a terceira frente de atuação da Sandoz, que hoje foca em genéricos e biossimilares. O Brasil será o primeiro país a receber a caneta com semaglutida vendida pelo laboratório, já que integra a primeira onda de fim da patente da semaglutida. 

“Passamos a ser responsáveis por levar essa molécula ao mercado, com a Adalvo sendo detentora da tecnologia, do desenvolvimento dessa molécula e da fabricação”, disse ao Valor a presidente da subsidiária brasileira da Sandoz, Isabella Wanderley, que já foi gerente-geral da Novo Nordisk, agora concorrente no mercado de semaglutida. 
 

“No momento, não temos planos de trazer [a tecnologia de produção local] para o Brasil, mas tudo depende de como esse mercado vai evoluir”, acrescentou. 

A caneta usa semaglutida sintética e não se enquadra como genérica. A legislação não permite a fabricação de genéricos de produtos biológicos, caso do Ozempic. Foi classificada como medicamento novo, alternativa sintética do produto biológico, assim como o Ozivy, a caneta com semaglutida da EMS, farmacêutica brasileira do conglomerado de Carlos Sánchez, até então única com semaglutida sintética registrada no país. 
 

O remédio é indicado para o tratamento de diabetes tipo 2 e a Sandoz ainda avalia se irá estendê-lo para outras indicações, como para o tratamento de obesidade. 
 

O Owozy será fabricado no Canadá pela farmacêutica maltesa Adalvo e importada e comercializada no Brasil pela Sandoz com rótulo próprio. A maltesa é conhecida pelo formato no qual desenvolve remédios para outros laboratórios e já tem outras parceiras desse tipo com o Sandoz. O dossiê e o pedido do registro do medicamento foram feitos em 2023 à Anvisa pela Ávita, representante local da Adalvo no processo regulatório. 
 

O remédio que será vendido pelo laboratório suíço pode ser mantido fora da geladeira, em temperaturas de até 30º C, por até 42 dias depois da primeira aplicação. 
 

O pedido de análise de preço da caneta já foi depositado na Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). O processo é obrigatório e serve para definir o preço máximo de um medicamento antes do início das vendas. A expectativa é que ela chegue às farmácias entre setembro e outubro deste ano, com doses de 0,25 mg, 0,5 mg e 1 mg. 

“Esse processo pode levar mais de 30 dias, mas, às vezes, é mais rápido. Estamos nessa expectativa de que seja mais rápido, mas ainda tem todos os trâmites, obviamente, de importação também”, afirmou a executiva. 
 

A Sandoz disse que o preço deve ser mais barato comparado ao original Ozempic, a caneta antidiabética da Novo Nordisk, mas na mesma faixa do Ozivy. A caneta do laboratório brasileiro começou a ser vendida no dia 15 de junho, também indicada para diabetes, com preços que variam entre R$ 452 e R$ 497 para as doses individuais de 0,25 mg a 1 mg. No programa ao suporte do paciente da farma, o pacote para três meses de tratamento é vendido por R$ 863,23, ou R$ 287 por mês. 
 

A Sandoz ainda estuda se adotará programa com preços especiais. “Ele terá um preço bem competitivo em relação ao produto original”, disse a presidente do laboratório. 

A estratégia de vendas da Owozy focará em grandes redes de farmácia, onde concorrentes já estão presentes, mas a empresa também quer expandir a presença para além desses pontos. “Esse é um segmento muito forte nos canais online das próprias redes. Nossa ideia também é oferecer essa comodidade para o paciente, de ter o seu medicamento em casa, caso ele deseje, em parceria com as redes.” 
 

Questionado sobre se pretende propor a inclusão do medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS), o laboratório disse que ainda estuda a possibilidade. “Estamos avaliando o tamanho desse mercado. Queremos discutir com o governo quais são as melhores soluções e para que público especificamente isso seria uma opção efetiva”, afirmou. 

 

 





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