Valor Inovação: Einstein Hospital Israelita é a 2ª empresa mais inovadora do país
04/08/2026

Para perseguir o propósito de proporcionar vidas mais saudáveis a um número cada vez maior de pessoas, o Einstein Hospital Israelita incorporou a inovação não apenas à sua atividade principal de saúde, mas extrapolando para as áreas de pesquisa e de ensino. Faz isso de forma estruturada, com um time de quase 400 profissionais, três centros de inovação — São Paulo, Goiânia e Manaus — e injetando investimentos que giram em torno de 5% das receitas. 

A instituição também conta com recursos externos. Uma das formas é por meio de agências de fomento. No primeiro trimestre deste ano, foi credenciada como Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) na área de saúde digital e, com isso, receberá investimentos por um período de cinco anos para o desenvolvimento de aplicações baseadas em inteligência artificial (IA) e análise avançada de dados clínicos, além da criação de plataformas digitais para suporte à decisão médica e ao cuidado. 

As parcerias estratégicas incluem projetos com a Fundação Gates e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). “A gente procura parceiros para entregar saúde; se existe um determinado problema, nós vamos criar uma inovação para lidar com aquele problema que tem sido insolúvel”, assinala Sidney Klajner, presidente do Einstein Hospital Israelita, citando algoritmo de LLM (grande modelo de linguagem) para contornar a falta de obstetra especialista na região de Manaus e oferecer pré-natal adequado para diminuir a mortalidade materna. 

Com o BID, a instituição lançou, na 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, realizada em Belém (Pará), a plataforma Mais (meio ambiente e impacto na saúde), que cruza dados climáticos, ambientais, de saúde e socioeconômicos de mais de 5.500 municípios para ajudar governos e profissionais de saúde a prever como ondas de calor, chuvas e poluição podem aumentar o número de doenças ou internações. 

No início deste ano, o Einstein anunciou a criação de centros colaborativos de inovação (CCIs), voltados à colaboração estruturada e de longo prazo com a indústria para o desenvolvimento de novas tecnologias em saúde, sua validação clínica e a preparação das soluções para lançamento e uso em larga escala. Os CCIs decorrem da experiência do Einstein de uma década em atuação com alianças nacionais e internacionais e projetos de pesquisas que incluíram 45 desenvolvimentos tecnológicos com 21 indústrias globais. 

A meta é criar soluções que atendam às particularidades do Brasil. “Em vez de importar uma solução, que provavelmente vai atender a sistemas de saúde que não são os nossos, a gente desenvolve aqui — num centro que teria no mínimo 20 pessoas contratadas, entre profissionais da indústria e nossos — modelos de inovação, sejam eles devices, protocolos ou equipamentos de diagnóstico e de tratamento”, detalha o presidente do Einstein. 
 

A expectativa é que, até o fim deste ano, seis empresas multinacionais estejam com CCIs em desenvolvimento nas áreas de equipamentos médicos, digital e indústria farmacêutica e que estes também sejam formados com empresas nacionais. A Philips estreou a lista, integrando o primeiro CCI, em uma aliança com duração inicial de cinco anos. 

Klajner adianta que o primeiro projeto é voltado à saúde da mulher e prevê o desenvolvimento de uma solução de IA integrada com dados clínicos e de imagens para apoiar a utilização de dispositivo intrauterino no Sistema Único de Saúde (SUS). “Seria um dispositivo de diagnóstico automático que permitiria garantir que foi colocado adequadamente sem a necessidade de usar ultrassom ou profissional ultraespecializado”, detalha. 

O Einstein tem também se destacado na terapia celular, com o desenvolvimento de vetores e protocolos de CAR-T Cell, que utilizam células do sistema imunológico do paciente para combater doenças onco-hematológicas, principalmente aquelas que falham com tratamentos convencionais. Criar no Brasil o protocolo adequado visa vencer desafios relacionados a altos custos e tempo demasiadamente grande. 

Trata-se de um desenvolvimento de longo prazo. “Você precisa de uma estrutura física, da capacidade de produzir a terapia aqui, da geração de patentes ou o pedido de patentes para essas tecnologias”, relata. Em 2022, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a realização do primeiro ensaio clínico realizado pelo Einstein, com financiamento do SUS. 

“Somos a primeira organização do Brasil autorizada pela Anvisa e tivemos a  oportunidade, no fim do ano passado, de levar os resultados preliminares ao American Society of Hematology, principal congresso americano de onco-hematologia. Foram 11 pacientes com leucemia e linfomas de células B que eram refratários a outras formas de tratamento; 81% tiveram alguma resposta e 72% tiveram remissão completa da sua doença”, destaca Klajner. 

Segundo ele, o tempo médio para fazer a aplicação levou 22 dias, menos que os 56 dias das opções comerciais naquele momento no Brasil. Até hoje, foram 46 infusões de CAR-T Cell, quatro pedidos de patentes e 22 produtos em desenvolvimento para terapias avançadas. 
 

A inovação com CAR-T Cell está na forma de tratar a doença e o Einstein já tem resultados concretos e medidos. “A expertise do ano passado permitiu a gente desenvolver pesquisa de outras formas de terapia celular, como NK-cell, que é outra terapia avançada, mas não para doença oncológica. Existem algumas doenças que vão se beneficiar dessa terapia celular, principalmente as crônicas e degenerativas”, explica. 

Do lado da tecnologia, os avanços do Einstein com IA são possíveis graças a investimentos feitos em 2015, quando organizou seus dados e estabeleceu um setor para cuidar de big data, governança e proteção de dados. Sem isso, diz Klajner, a instituição não teria a atual capacidade de desenvolver algoritmos que estão sendo usados. 

São 130 algoritmos de “inteligência aumentada” em atividade, conceito que a instituição utiliza. “A gente fala em inteligência aumentada como uma ferramenta para melhorar a inteligência dos profissionais, principalmente, os de saúde que se utilizam dela e não são substituídos”, ressalta Klajner. Ele cita a própria experiência: “Como médico cirurgião, atuo no setor de oncologia no consultório, a solução de IA me dá no dia a dia suporte à decisão, agilidade para não precisar anotar o conteúdo de uma consulta e ter a informação do prontuário do paciente”. 

A organização dos dados levou à maturidade que hoje permite à instituição contabilizar 62 soluções de inteligência nas suas 14 áreas assistenciais, como projetos que buscam prover uma segurança maior ao paciente nas situações que podem levar a algum evento adverso. 

“O modelo de inovação que nós conseguimos implementar é para permear toda a atividade, ou seja, nenhuma solução é pensada que não seja uma maneira inovadora para lidar com algum gargalo. São 130 algoritmos de inteligência aumentada. Há projetos que lidam com populações mais vulneráveis e ajudam o SUS, uma incubadora recebeu 3.500 startups de saúde ao longo da sua trajetória e hoje são 41 startups no ecossistema integrantes da Eretz.bio”, ressalta Klajner. 

ESTRATÉGIA 

Investimento em P&D: R$ 300 milhões no último ano 

Centros de pesquisa no Brasil: 1 

Centros de inovação no Brasil: 3 

Patentes no Brasil: 72 ativos entre patentes e registros de softwares. Em 2025, obteve uma patente e dois registros de softwares 

Patentes no exterior: 2 em 2025 

Funcionários em P&D: 500 profissionais atuando de forma direta e indireta 

Parcerias: 49 com indústrias nas unidades de São Paulo e Goiânia. Mais 370 parcerias com startups, 17 com indústrias na unidade de Manaus e 52 iniciativas da incubadora Eretz.bio 





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