Três meses depois da estreia na B3, a Bradsaúde, empresa que reuniu os ativos de saúde do grupo Bradesco, registrou aumento do lucro e da receita no segundo trimestre. O aumento da sinistralidade, porém, ofuscou parte do desempenho positivo. O mercado reagiu ao balanço e os papéis da companhia registraram queda de 11,56% ontem (4), cotados a R$ 14,23.
No período, o lucro foi de R$ 1,1 bilhão, alta de 24,8%, e a receita, de R$ 13,8 bilhões, avanço de 10,8%. Mas a taxa de sinistralidade reverteu a queda de 1,4 ponto percentual do primeiro trimestre e avançou 1,7 ponto, para 83,8%. O índice mostra a proporção da receita usada para cobrir despesas assistenciais e, quando está alta, indica maior gasto.
A empresa concentra em seu portfólio a seguradora Bradesco Saúde, responsável por 83% do lucro no período, a Odontoprev (9%) e a Atlântica Hospitais (6%), operação hospitalar do grupo. Tem ainda as clínicas médicas Meu Doutor Novamed, a operadora Medservice e a empresa de tecnologia Orizon, além de participações relevantes no grupo Fleury e na Croma Oncologia.
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“Tínhamos experimentado um primeiro trimestre positivo, mas víamos com cautela por conta de aumento de frequência e aumento do custo médio das visitas [na rede credenciada]”, disse o presidente da Bradsaúde, Carlos Marinelli. “Já víamos isso [o aumento do custo] como uma certa tendência.”
Ainda assim, o executivo defendeu que a métrica deve ser analisada no acumulado de doze meses, e não de três meses, embora esta seja a mais citada por analistas. Nessa ótica, o índice recuou um ponto percentual, para 83,3% no ano encerrado em junho. “A saúde tem um consumo com variações sazonais. Por isso, sempre olhamos para 12 meses”, afirmou a jornalistas, quando questionado do porquê da percepção da estabilidade, mesmo com a alta trimestral.
Sobre judicializações, outra preocupação do setor, Marinelli disse que o tema tem ganhado contornos intensos, mas que a empresa tem tido maior “maturidade” para lidar com o assunto, aproveitando conhecimento prévio para desenvolver teses de defesa em cada caso.
Os resultados do trimestre também foram interpretados de forma positiva por analistas, que destacaram que a companhia foi beneficiada por menores despesas, ganhos financeiros mais robustos e, em alguns casos, efeitos tributários favoráveis. Embora Itaú BBA, BTG, XP, Jefferies e Santander tenham dito que custos médicos cresceram acima do esperado ou mais que a receita, parte do mercado viu elementos que podem amenizar a leitura negativa.
Na avaliação da XP, a sinistralidade pode ter sido afetada pelo efeito sazonal do Carnaval antecipado no início do ano, que reduziu temporariamente a utilização da rede de saúde e deslocou procedimentos para o segundo trimestre. Se a hipótese estiver correta, é o desempenho do terceiro trimestre que determinará se a alta do índice foi pontual ou estrutural.
O desempenho da Atlântica Hospitais foi outro destaque positivo do período, com aumento de 312% no lucro, para R$ 64 milhões, o que acrescentou aos seus 2% de participação no ganho consolidado da Bradsaúde no primeiro trimestre mais 4 pontos percentuais no período seguinte.
A Bradsaúde disse que o resultado mostra que outros negócios, além da seguradora de saúde e da Odontoprev, começam a mostrar robustez. “Quando falamos do crescimento de outros ativos do ecossistema, temos a contribuição da linha de serviços, especialmente da Atlântica Hospitais”, disse Vinicius Cruz, diretor financeiro da empresa.
No segundo trimestre, a seguradora registrou receita de R$ 13,1 bilhões, avanço de 11,5% em base anual, e lucro de R$ 923 milhões, alta de 37,1% na mesma base. A empresa encerrou o trimestre com 4,1 milhões de usuários de planos de saúde.
Já a OdontoPrev teve lucro líquido de R$ 115,7 milhões, queda de 20,8%, e receita de R$ 636,6 milhões, alta de 5,6% na comparação anual, com ritmo menor que o dos custos, que avançaram 7,8%, para R$ 238 milhões. A empresa encerrou o período com 9,5 milhões de usuários de planos odontológicos. A Bradsaúde atribuiu a queda no lucro a custos com criação da empresa e a base de comparação maior do mesmo período do ano anterior.