/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2026/H/r/arE738Sk2AaNNHnDLizg/125-arte-farmaceuticas.jpg)
O foco da estratégia é transformar necessidades médicas ainda não atendidas em soluções relevantes para pacientes e profissionais de saúde. Hoje, a empresa alcança cerca de 60 milhões de brasileiros com tratamentos em diversas áreas terapêuticas e almeja chegar a 100 milhões em 2030.
Já a EMS mantém um dos maiores e mais modernos centros de P&D da América Latina, em Hortolândia (SP), onde concentra seus principais esforços em projetos voltados para medicamentos de alta complexidade e tecnologias capazes de ampliar o acesso a terapias inovadoras. “Em 2026, fomos a primeira farmacêutica nacional a lançar uma caneta de semaglutida no país”, conta o vice-presidente da empresa, Marcus Sanchez.
O projeto foi desenvolvido com tecnologia própria da EMS, com base em síntese química de peptídeos. Segundo Sanchez, a inauguração da primeira fábrica de peptídeos do Brasil, também em Hortolândia, marcou um novo ciclo de inovação da companhia ao unir desenvolvimento tecnológico e capacidade industrial na mesma plataforma.
Esse investimento viabilizou a produção nacional de análogos de GLP-1 e criou a base tecnológica para uma série de novos projetos. “Isso inclui o avanço da nossa estratégia internacional, com a aceitação pela FDA [Food and Drug Administration] das submissões para análise de semaglutida e tirzepatida, o que reforça nossa capacidade de competir em mercados globais”, diz Sanchez.
Ele considera que um dos maiores aprendizados para a EMS nos últimos anos foi a necessidade de investir simultaneamente em várias frentes: pesquisa, capacidade produtiva e formação de equipes altamente especializadas. “A construção da plataforma de peptídeos mostrou que investimentos estruturantes geram ganhos que vão muito além de um único medicamento.” A mesma base tecnológica desenvolvida para a produção de liraglutida permitiu acelerar o desenvolvimento da semaglutida e ampliar a estratégia internacional da companhia. “Isso cria competências que hoje sustentam novos projetos, futuras moléculas e o processo de internacionalização da EMS.”
A Hypera Pharma vem buscando atuar com inovação incremental e aproveitar oportunidades de mercado geradas por exclusividades e patentes expiradas, além da expansão de grandes marcas para novos territórios de consumo. O medicamento Ondif, voltado ao tratamento de náuseas, é um exemplo de inovação incremental. Trata-se de um filme (película) oral que dissolve na língua de forma mais rápida e agradável ao consumidor.
Com relação ao fim de exclusividades, a empresa desenvolveu a primeira alternativa à combinação Bronfeniramina + Fenilefrina — antialérgico e descongestionante nasal —, até então exclusiva no mercado. O lançamento englobou diferentes marcas do portfólio, como Descon, Hiscongex e Coristina D Congest, além da versão genérica na marca Neo Química. Já sobre queda de patentes, a Hypera lançou o Ecoxe, alternativa de um anti-inflamatório de última geração. E sobre a expansão de marcas do portfólio, o Engov After ampliou o seu território ao se conectar a um público mais jovem.
A farmacêutica também pretende lançar produtos e novas formulações já desenvolvidas e ainda não disponíveis no Brasil. Os projetos são selecionados de acordo com o potencial de geração de valor para os consumidores, além de forte aderência à estratégia de crescimento da companhia.
A Eurofarma, por sua vez, conta com um time de mais de 770 pesquisadores e especialistas para conduzir sua estratégia de inovação. Em 2025, investiu mais de R$ 700 milhões em PD&I, com um pipeline de mais de 300 projetos ativos em diferentes estágios de maturidade, da pesquisa inicial ao lançamento comercial.
Segundo o vice-presidente de inovação da Eurofarma, João Siffert, a estrutura da empresa a posiciona como uma das poucas indústrias latino-americanas do setor com capacidade de desenvolver projetos de ponta a ponta de forma completa e integrada. Entre os projetos de destaque mais recentes estão a aprovação do XCopri, um medicamento relevante para pacientes com epilepsia farmacorresistente e a introdução de novas tecnologias de prevenção, como a vacina contra chikungunya, submetida à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A estratégia da Eurofarma se sustenta em dois motores complementares. A inovação interna é conduzida principalmente pelo Eurolab, onde a empresa busca desenvolver novas soluções terapêuticas, plataformas tecnológicas e projetos de inovação incremental e radical. “Há 11 anos temos investido na busca de novos fármacos a partir de descobertas científicas próprias”, explica Siffert. O segundo motor é externo, num modelo de parcerias, licenciamento e codesenvolvimento com outras empresas biofarmacêuticas, startups, universidades e centros de pesquisa internacionais.
Segundo Siffert, a Eurofarma adota três critérios básicos ao priorizar um projeto de inovação: o potencial de gerar benefícios clínicos para os pacientes, especialmente em necessidades médicas ainda não plenamente atendidas; a capacidade de o projeto ampliar o acesso a terapias inovadoras para populações que enfrentam barreiras econômicas ou geográficas; e a possibilidade de o projeto criar capacidades estratégicas para a companhia, fortalecendo suas competências científicas, tecnológicas e regulatórias.
O Cristália mantém um comitê permanente de inovação para decidir os investimentos. “As ideias podem vir de todas as áreas”, explica Rogério Almeida, vice-presidente de PD&I da empresa. “Do marketing, ao ouvir necessidades dos profissionais médicos e dos pacientes; da nossa própria área médica, participando de congressos ou mesmo pelo acompanhamento de artigos científicos.”
Almeida também destaca o papel ativo do departamento de patentes: “Estamos sempre monitorando o panorama futuro de possíveis quedas de patentes para identificar potenciais projetos para a área de genéricos”. A estratégia também envolve a prospecção ativa de empresas internacionais que buscam parceiros para desenvolvimento no Brasil. “Com isso, participamos de etapas clínicas e obtemos o direito de exploração de produtos inovadores no território latino-americano.” Um exemplo dessas parcerias foi o lançamento de um colírio para glaucoma sem conservantes, que pode ser mantido em temperatura ambiente depois de aberto e que reduz o risco de reações adversas.
A empresa também mantém projetos de inovação radical em parceria com universidades públicas brasileiras. Um deles é o desenvolvimento de um lipossoma de resgate, descoberto pela Universidade Federal de Goiás, capaz de sequestrar a cocaína do organismo, para salvar vítimas de overdose. “Estamos finalizando a documentação para pedir autorização da Anvisa para iniciar testes em humanos”, diz Almeida. Outro projeto, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais, busca o desenvolvimento de uma terapia gênica para controlar a saciedade no consumo de álcool.
Qualquer que seja o cenário, a linha de corte do Cristália é sempre o benefício terapêutico. “O investimento sempre passa pela avaliação: aquilo vai trazer benefícios para o paciente ou alguma vantagem para o prescritor? Isso vai definir se um estudo vai ou não seguir adiante”, conta Almeida.