As cooperativas de saúde vêm ampliando sua base de clientes e se consolidando como um dos segmentos mais relevantes do cooperativismo brasileiro ao unir capilaridade territorial e peso econômico. Em 2025, o modelo atendia mais de 20 milhões de beneficiários em todo o país, com presença em mais de 90% dos municípios e atuação focada na prestação assistencial e na valorização profissional. A busca por governança sólida e a profissionalização da gestão têm sido cruciais para sustentar os negócios, impulsionando sua expansão por diversas regiões.
Ao todo, o Brasil conta com 699 cooperativas de saúde, sendo 262 na modalidade médica - que somam cerca de 18,5 milhões de beneficiários, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) -, além de estruturas formadas por outros profissionais, como enfermeiros, fisioterapeutas e psicólogos.
Do total de cooperativas de saúde no Brasil hoje, 328 são associadas ao Sistema Unimed, que reúne 116 mil médicos e 20 milhões de clientes em 92% do território nacional. A instituição passou por uma reestruturação profunda após fechar 2024 com patrimônio líquido negativo de R$ 96 milhões, alcançando um resultado positivo de R$ 1 bilhão no ano seguinte. A mudança exigiu adequações severas no modelo de gestão para contornar desafios comuns ao setor, como a alta taxa de judicialização, fraudes, custos assistenciais crescentes e a incorporação contínua de novas tecnologias e terapias.
Apesar da complexidade operacional, especialistas avaliam que o formato cooperativo ganha eficiência quando gerido com rigor técnico. “O modelo depende da gestão. Mas administrado com responsabilidade tem tudo para melhorar e evoluir”, afirma Luciano Lima, economista especialista em seguros de saúde. Em municípios de menor porte, afirma, as cooperativas costumam viabilizar a oferta de saúde suplementar ao garantir maior poder de negociação coletiva com clínicas e hospitais, além de dar visibilidade ao médico em um mercado concorrido.
A marca Unimed foi criada por um grupo de médicos ainda em 1967, mas a consolidação da Unimed do Brasil (Confederação Nacional das Cooperativas Médicas) é de 1975. Representante institucional de cooperativas de cidades ou regiões, chamadas de “singulares”, e de federações estaduais, coordena o Sistema Unimed que, entre planos de saúde e odontológicos, tem 37% do mercado e 10% da população. O movimento de interiorização tem impulsionado a entrada de novos clientes, com destaque para taxas de crescimento observadas entre 2024 e 2025 em Estados como Amazonas, Acre, Rio Grande do Sul e Roraima.
Para Omar Abujamra Junior, presidente da Unimed do Brasil, a boa gestão tornou-se condição de sobrevivência no setor diante do aumento dos custos assistenciais, do envelhecimento populacional e da rápida incorporação de tecnologias. “Desde 2025, capacidade de adaptação a mudanças regulatórias e liderança voltada a consensos para equilíbrio de interesses locais e visão nacional são parte das exigências para gestão das cooperativas”, afirma Abujamra Junior.
Modelo atende mais de 20 milhões de beneficiários, com presença em mais de 90% dos municípios do país
No segmento de grandes contratos corporativos, a Central Nacional Unimed (CNU), criada em 1998, realizou mais de 55 milhões de procedimentos em 2025, repassando mais de R$ 10 bilhões à rede credenciada e aos médicos. A entidade também assumiu a carteira de cooperativas liquidadas após prejuízos acumulados a partir de 2009, como as Unimeds Paulistana, DF, Salvador e São Luís.
Para reequilibrar o balanço, a CNU contou com aportes e capitalização das cooperativas sócias ao longo de 2025, atendendo a exigências de patrimônio líquido da ANS. Eleito presidente da CNU em março de 2025, o médico Luiz Otávio Fernandes de Andrade relata ter encontrado um cenário desafiador para quitar dívidas de curto prazo, recuperar a capacidade operacional e voltar a gerar lucro.
Segundo Andrade, a reestruturação da governança - com comitês temáticos e a participação das cooperativas relevantes no conselho - permitiu que o patrimônio líquido saísse de R$ 96 milhões negativos em 2024 para R$ 1 bilhão positivo em 2025. “Em seis meses de 2026 já geramos dois terços do resultado total acumulado de 2025”, afirma.
Segundo a ANS, o modelo de cooperativas requer mais articulação, para atuar de forma integrada, e clareza na definição de responsabilidades dentro do próprio sistema, para evitar interrupção de tratamentos e garantir que beneficiários não sejam prejudicados por eventuais crises no setor.