O Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (INRAD HCFMUSP) iniciou uma nova etapa de modernização do Serviço de Radioterapia com a chegada de um novo acelerador linear, equipamento de alta precisão utilizado no tratamento de pacientes com câncer.
O acelerador linear é o equipamento utilizado na radioterapia para produzir e direcionar feixes de radiação de alta energia à região do tumor. O tratamento é planejado pela equipe médica para atingir a área doente com precisão, preservando ao máximo os tecidos saudáveis ao redor.
Com investimento de R$ 8 milhões, a iniciativa integra o processo de atualização tecnológica da Radioterapia do INRAD, serviço que atende pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e atua em casos oncológicos de alta complexidade.
O novo acelerador linear deve iniciar o atendimento a pacientes entre setembro e outubro deste ano, após as etapas de instalação, testes, treinamentos e liberação das licenças necessárias. O equipamento se soma a outro acelerador de ponta já em funcionamento no serviço e faz parte de um movimento de renovação tecnológica que tem como objetivo ampliar a precisão dos tratamentos, reduzir o número de sessões em casos selecionados e aumentar a capacidade assistencial da unidade.
Com a chegada do novo equipamento, o Serviço de Radioterapia do INRAD passará a contar com dois aceleradores lineares com recurso de radioterapia guiada por imagem. A tecnologia permite realizar imagens no próprio aparelho antes da sessão, como uma tomografia, para verificar o posicionamento do paciente e confirmar se a área a ser tratada está corretamente localizada, visualizando também os órgãos internos ao redor. Esse recurso contribui para aumentar a segurança e a precisão do procedimento.
Além da radioterapia guiada por imagem, o novo equipamento também conta com sistema de radioterapia guiada por superfície, tecnologia que utiliza sensores e luz infravermelha para monitorar o posicionamento corporal do paciente durante o tratamento. Na prática, o recurso ajuda a garantir que o paciente permaneça na posição planejada, com ajustes mais precisos antes e durante a sessão. Com a incorporação da radioterapia guiada por superfície, o INRAD se posiciona na vanguarda da radioterapia pública no país, ampliando o acesso de pacientes do SUS a uma tecnologia avançada de precisão e segurança no tratamento.
Segundo a Profa. Doutora Heloisa de Andrade Carvalho, coordenadora médica do Serviço de Radioterapia do INRAD, a modernização amplia a segurança e a precisão do tratamento, com impacto direto na jornada dos pacientes.
“Esses recursos permitem tratar com mais precisão, preservar melhor os tecidos saudáveis e, em situações selecionadas, reduzir o tempo total de tratamento. Isso é especialmente importante em tumores de grande volume assistencial, como mama e próstata, em que a redução do número de sessões também contribui para ampliar o acesso de novos pacientes”, afirma.
Na prática, casos que antes podiam exigir cerca de oito semanas de tratamento, como alguns tumores de próstata, podem ser realizados em aproximadamente 20 dias, quando houver indicação clínica. Em câncer de mama, tratamentos que tradicionalmente demandavam 25 sessões já vêm sendo reduzidos para 15 sessões e, em casos favoráveis, podem chegar a esquemas ainda mais curtos.
O INRAD também acompanha o processo de substituição de um terceiro equipamento, ainda em fase de edital, como parte da estratégia de renovação gradual do parque tecnológico da Radioterapia.