IA apoia identificação de lesões em colonoscopia no HSPE
24/08/2026

A inteligência artificial apoia a realização de colonoscopias no Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo, unidade própria do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe). A tecnologia amplia a taxa de detecção de alterações no intestino grosso (cólon e reto) e na porção final do intestino delgado (íleo terminal), pois analisa toda a imagem captada pela câmera que realiza o exame. O principal benefício é a melhor precisão do procedimento, melhorando a prevenção de neoplasias intestinais.

A IA utilizada na Seção de Endoscopia do HSPE identifica possíveis alterações na parede do intestino com sinalização sonora e visual no computador. É a partir desse alerta que o especialista pode aproximar a ferramenta com câmera e luz BLI (Blue Light Imaging) acoplada para realizar uma avaliação mais cuidadosa do achado. Essa iluminação exibe uma imagem no monitor com diferentes tonalidades de acordo com base em anormalidades na superfície e na vascularização da região fora do padrão. Os tons esverdeados indicam lesões hiperplásicas e os amarelados neoplásicas. Essas últimas precisam ser retiradas por meio de ressecção.
 

De acordo com o endoscopista do Iamspe Guilherme Augusto Oliveira Schreiner, a tecnologia apoia principalmente a identificação de lesões sutis em regiões da parede do intestino. “São alterações discretas de cor, relevo e vasos sanguíneos, por isso, o treinamento com muitos casos e duradouro é essencial para o médico. A inteligência artificial apoia a análise do especialista porque é altamente sensível a mudança de padrão, aprimorando a avaliação e, consequentemente, a precisão e a qualidade do exame”, comenta o endoscopista do Iamspe.

A ferramenta entra em cena em um momento importante, em que os casos de câncer devem aumentar cerca de 781 mil por ano entre 2026 e 2028 no Brasil, de acordo com estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O quadro de câncer colorretal segue a mesma tendência, principalmente entre os pacientes mais jovens, com menos de 50 anos, tornando essenciais exames mais precisos, ágeis e frequentes. O procedimento deve ser realizado de modo preventivo a partir dos 45 anos e, em casos de histórico familiar, a partir da terceira década de vida.

A tecnologia também contribui para o aprendizado dos residentes em endoscopia, que realizam o exame com supervisão de um especialista. A ferramenta identifica e sinaliza com clareza alterações que merecem atenção, mostrando diferentes tipos de lesões neoplásicas e hiperplásicas.

“Para o supervisor, a ferramenta funciona como uma segunda checagem de uma alteração que merece atenção e, para o especialista em formação, como um recurso a mais para identificação de alterações sutis, aumentando a taxa de detecção de lesões e, por consequência, diminuindo o risco de neoplasias futuras”, finaliza.





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