Conversas para venda de 100% da Amil avançam, mas preço ainda é impasse
24/08/2026

A venda da Amil avançou nas últimas semanas, mas o único consenso até o momento é que os fundos Advent e Bain Capital querem 100% do negócio. O valor do ativo, estipulado em cerca de R$ 17 bilhões, ainda é impasse, segundo três fontes ouvidas pelo Valor. 

Advent e Bain procuraram o empresário José Seripieri Filho, conhecido como Júnior, para comprar 100% da Amil nos últimos meses, segundo pessoas a par do assunto. No entanto, o empresário não estava disposto a abrir mão do controle. 

As conversas esfriaram, mas as gestoras voltaram este ano com uma proposta avaliando a companhia em R$ 17 bilhões. Quando Júnior comprou a Amil, há dois anos e meio, a operadora de saúde foi avaliada em R$ 11 bilhões, dos quais R$ 9 bilhões eram relativos a contingências. A americana UnitedHealthGroup (UHG) vendeu o ativo que era considerado deficitário para Júnior e saiu do Brasil 

No início do ano passado, a Bain procurou o empresário com interesse em ter o controle da empresa de saúde, mas não conseguir seguir adiante nas conversas. 

Em parceria com a Advent, a Bain retomou as conversas com Júnior para comprar a totalidade da operadora de plano de saúde. O valor do cheque interessou ao controlador, mas o executivo chegou a propor ser sócio minoritário da empresa. 

Duas fontes ligadas aos fundos afirmaram ao Valor que não há interesse das gestoras em ter o Júnior como sócio minoritário e que elas não abririam mão de 100% do controle. 

Pessoas a par do assunto afirmaram que agora as negociações, para avançar, ainda estão truncadas em razão do preço. Uma das fontes disse que Júnior, que tem bom trânsito em Brasília, conseguiu resolver nesses últimos dois anos e meio impasses regulatórios e reduziu as contingências da companhia. 

Ele teria agora negociando nos detalhes, segundo duas fontes, o valor do ativo. Há ainda na mesa outros temas envolvendo o valor da transação que impacta no “valuation”, como capital de giro e estruturação do negócio. Não há uma data para o fechamento da operação, mas, na Faria Lima, a expectativa é de que o negócio seja concluído antes do fim do ano. 

A Advent, que neste ano tornou-se acionista relevante da Natura e indicou dois conselheiros para a empresa de beleza, já tem experiência no setor de saúde — como sócia do Fleury. A Bain foi dona da Intermédica NotreDame. 

Procurado diretamente pela reportagem, Júnior não retornou os pedidos de entrevista. A Bain também não retornou até o fechamento desta edição. Amil e Advent não comentam. 





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