Squadra chama investimento em Hapvida de 'maior erro' da sua história
25/08/2026
A Squadra Investimentos, uma das mais famosas e longevas gestoras de ações do mercado local, fez um ‘mea culpa’ importante em sua última carta divulgada aos cotistas e classificou seu investimento em Hapvida como o maior erro de seus 18 anos de história. A gestora diz ainda que reduziu sua posição na empresa de saúde a aproximadamente 1% dos fundos. 
 
“Os últimos dois anos foram de guerra, não de paz – e é assim que os temos tratado. O desempenho dos fundos ficou aquém do esperado, e não pretendemos suavizar esse fato. Buscamos explicar o que pensamos do contexto que se apresenta e como reagimos. Para agravar o quadro, cometemos nesse período o maior erro de investimento da nossa história: Hapvida, o que arranhou nosso histórico de performance e custou enormemente ao nosso capital e ao dos nossos cotistas", afirma a equipe de gestão. 
 

O Squadra Long-Biased rendeu 29,4% em 2025, enquanto o fundo Squadra Long-Only teve retornos de 27,7%. Ambos ficaram abaixo de suas referências: o Ibovespa subiu 34% e o IBr-X avançou 33,5%. Em 2026, os fundos da Squadra acumulam quedas de 5,1% e 6,2%, respectivamente, contra alta de 6,8% do Ibovespa e de 6,7% do IBr-X. 
 

A Squadra atribui parte do desempenho ruim ao investimento em Hapvida. Após ter reconhecido dificuldades no ano passado na tese, como o preço pago exageradamente alto e a subestimação dos desafios trazidos pela grande quantidade de ativos adquiridos, os problemas se agravaram recentemente. 
 

“Passado mais um ano, a conclusão inevitável é que falhamos nas três dimensões que sustentam qualquer investimento: o preço, as perspectivas do negócio e a avaliação dos administradores a quem confiamos os recursos. Este último erro foi o mais grave, pois tem efeito composto sobre os demais", apontam. 
 

A Squadra avalia, neste momento, que não havia capacidade de gestão e execução à altura da ambição empresarial das metas que a Hapvida se propunha a realizar. Ainda, dizem que prevaleceu na companhia, ao longo dos anos, uma visão dogmática e falhas de entendimento sobre a natureza dos dos problemas. 
 

“O insucesso era repetidamente atribuído à falta de integração das operações adquiridas. Contudo, a própria integração acabou por se revelar o golpe mais duro para os resultados da companhia", dizem.

 

Para a Squadra, a solução para a companhia e seu quadro de endividamento passa pela avaliação de desinvestimentos e pela simplificação do grupo. 
 

“Caso essa agenda de alocação de capital eficiente e racional viesse a contemplar de forma abrangente as unidades adquiridas, incluindo a relevante subsidiária Notre Dame Intermédica, estimamos que a ação poderia se multiplicar algumas vezes. Esse movimento, com potencial de endereçar a situação de endividamento elevado, permitiria que os esforços da gestão se concentrassem na operadora Hapvida Assistência Médica, a qual reúne as operações das regiões Nordeste e Norte, berço da companhia e onde suas vantagens competitivas são mais evidentes", afirmam. 

“Não nutrimos, contudo, ilusões sobre essa travessia. O carrego de uma companhia alavancada, com deterioração sequencial de suas operações, é punitivo, e o horizonte para correções de rumo acaba pressionado pelos vencimentos do cronograma de dívidas. Adicionalmente, o custo de oportunidade é elevado, em virtude não só das taxas de juros básicos, mas principalmente dos altos retornos prospectivos de outras empresas de nosso portfólio. Na data de publicação desta comunicação, o investimento representa uma posição de 1% dos fundos", concluem. 
 





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