Qualidade e eficiência na construção de hospitais inteligentes
28/08/2026

A Anahp realizou, em 27 de agosto, a edição que encerrou a Jornada Digital de agosto, com o tema “Qualidade e eficiência integradas: o futuro dos hospitais inteligentes”.

A série, dedicada ao macrotema Qualidade e Segurança, foi realizada em parceria com a Wolters Kluwer, como parte da programação do Especial 25 anos Anahp.

O encontro discutiu como dados, inteligência artificial, automação e outras tecnologias podem apoiar uma gestão hospitalar mais preditiva e eficiente. A conversa também mostrou que o avanço depende da integração entre qualidade e resultado operacional, da revisão de processos e da capacidade das equipes de transformar informação em decisão e ação.

Participaram:

  • Aline Bastos, diretora assistencial da Rede Primavera Saúde;
  • Cristiano Valério, ex-head de Inovação e Valor em Saúde do Hospital Sírio-Libanês;
  • Luciano Cavalcante, diretor médico de Informações do Hospital Santa Rita;
  • Vitor Ferreira, CIO da ABCIS (moderação).

 

Principais pontos:

Qualidade e eficiência

Um dos pontos centrais foi a necessidade de aproximar qualidade assistencial e eficiência operacional.

Infecções, erros de medicação, atrasos no reconhecimento da sepse e outros eventos não afetam apenas os desfechos clínicos. Também podem prolongar internações, aumentar o uso de recursos e gerar desperdícios.

Evitar o dano, portanto, contribui ao mesmo tempo para a segurança do paciente e para a sustentabilidade da operação.

A discussão também apontou o objetivo de avançar de uma leitura retrospectiva dos indicadores para informações capazes de orientar a assistência enquanto ela acontece.

Na prática, isso significa:

  • Em vez de olhar apenas quantas quedas ocorreram, identificar quais pacientes têm maior risco de cair nas próximas horas.
  • Em vez de verificar depois quantos protocolos ficaram fora do tempo, acompanhar quanto falta para que uma intervenção necessária seja realizada.
  • Em vez de concentrar a análise no período anterior, usar as informações para sinalizar o que exige atenção naquele momento.

 

Tecnologia e processos

A incorporação de novas ferramentas precisa vir acompanhada da revisão dos processos. Caso contrário, há o risco de apenas digitalizar fluxos que já apresentam problemas.

IA, automação e sistemas de apoio à decisão ganham valor quando respondem a necessidades concretas da assistência ou da operação. O debate reforçou, por isso, a importância de compreender primeiro o problema, revisar o fluxo e definir o resultado esperado antes de selecionar a tecnologia.

Tecnologia deve responder a um problema real, e não ser incorporada apenas porque está disponível.

Uso dos dados

Durante a Jornada, foram mencionados dashboards e relatórios que acumulam indicadores sem necessariamente influenciar a rotina. Para mudar esse cenário, além de selecionar melhor o que deve ser medido, é preciso criar rotinas de análise, acompanhamento e decisão a partir dessas informações.

O fluxo discutido pode ser resumido em quatro etapas:

Dado → informação → decisão → ação

A análise também precisa ultrapassar os limites das áreas. Qualidade assistencial, eficiência, custo, glosas e resultado financeiro fazem parte da mesma jornada, ainda que diferentes equipes tenham responsabilidades específicas em cada etapa.

Cuidado além do hospital

Monitoramento contínuo, telemedicina e integração das informações podem permitir um acompanhamento mais longitudinal, inclusive antes ou depois de uma internação. Nesse modelo, o hospital deixa de ser apenas o local onde o paciente é atendido e passa a fazer parte de uma rede de cuidado mais contínua.

Entre os elementos associados a esse avanço estão:

  • integração entre dados assistenciais e administrativos;
  • monitoramento do paciente ao longo da jornada;
  • telemedicina e outras formas de acompanhamento remoto;
  • interoperabilidade entre diferentes sistemas e instituições.

 

A interoperabilidade apareceu como um dos principais desafios para que dados produzidos em diferentes pontos da assistência possam ser utilizados de forma conjunta.

Governança da transformação digital

A transformação digital não acontece de forma isolada: exige articulação entre diferentes áreas e conhecimentos. Luciano Cavalcante, diretor Médico de Informações do Hospital Santa Rita, compartilhou a experiência do hospital com um comitê multidisciplinar de inovação, que reúne profissionais da assistência, tecnologia, corpo clínico, finanças, jurídico e qualidade.

O movimento também precisa fazer parte da agenda da alta liderança. O CEO não precisa dominar tecnicamente cada ferramenta, mas precisa compreender as prioridades, coordenar as diferentes áreas e criar condições para que os projetos avancem.

Escolha dos projetos

Ao relatar a experiência de sua passagem pelo Sírio-Libanês, Cristiano Valério, ex-head de Inovação e Valor em Saúde, explicou que 70% do tempo e do orçamento destinados à inovação eram direcionados a grandes problemas da instituição. A estratégia buscava reduzir a dispersão em muitos projetos pequenos e concentrar recursos onde fosse possível demonstrar impacto.

Entre as perguntas apontadas para avaliar uma iniciativa estão:

  • Qual problema ela resolve?
  • Que impacto pode gerar na assistência?
  • Há ganho de eficiência ou redução de custos?
  • Como o resultado será medido?
  • A solução gera valor tanto para quem decide quanto para quem vai utilizá-la na operação?

 

Pessoas e liderança

Os profissionais precisam interpretar criticamente as informações, organizar o cuidado e decidir como agir. As lideranças, por sua vez, têm um papel na construção de uma cultura que dê autonomia às equipes e conecte objetivos assistenciais, operacionais e financeiros.

A discussão mostrou, assim, que o avanço dos hospitais inteligentes não depende apenas da quantidade de tecnologia disponível. Qualidade, eficiência, dados, processos, governança e pessoas precisam funcionar de forma integrada para que a transformação produza resultado na assistência e na operação.

Fonte: Anahp




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