Plano de saúde já é um dos maiores custos da folha de pagamento de empresas
31/08/2026
O plano de saúde já está começando a disputar espaço com os salários entre as maiores despesas de pessoal do meio corporativo. Em determinados setores, a assistência médica já consome entre 15% e 20% do custo total da folha de pagamento, segundo levantamento interno da Wiz Benefícios, unidade da Wiz Co focada em saúde corporativa. 

A escalada nos custos é alimentada por reajustes que podem atingir 25%, alterando a governança interna das companhias. A gestão do benefício, antes restrita ao departamento de Recursos Humanos, passou a entrar diretamente na pauta dos CFOs e dos times de planejamento financeiro. 

O avanço das despesas ocorre em um momento de expansão de base na saúde suplementar brasileira. Em junho de 2026, o país registrou 53,1 milhões de beneficiários em planos de assistência médica e 36,7 milhões em contratos exclusivamente odontológicos. 
 

Contratos empresariais ficam fora do teto da ANS 

O contraste nas regras de reajuste explica por que a pressão é maior sobre os caixas corporativos. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) definiu em 5,11% o teto máximo de reajuste para contratos individuais e familiares — o menor índice desde 2021, desconsiderando a variação negativa registrada no período da pandemia. A agência chegou a emitir nota oficial negando especulações sobre um reajuste extraordinário para essa modalidade. 

Contudo, a proteção desse limite teto contempla apenas 7,7 milhões de beneficiários, o equivalente a 14,5% do total de usuários do sistema. Já para os contratos antigos (anteriores à Lei 9.656/1998), os índices autorizados atingiram até 5,52% para Medicina de Grupo e 6,2% para seguradoras como Bradesco, SulAmérica e Itauseg. 
 

Os planos empresariais e coletivos, por outro lado, não possuem teto regulado pela agência reguladora e concentram 73% da saúde privada no Brasil, de acordo com o painel de contratantes da ANS com dados até dezembro de 2025. 

No início de 2026, os contratos coletivos registraram reajuste médio de 9,9% — o menor em cinco anos, mas ainda acima da inflação —, com projeções do setor apontando aumentos acumulados entre 8% e 11% ao longo do ano. 

Baixa adesão à gestão estratégica e preditiva 

Apesar do forte impacto no balanço, o mercado apresenta baixa maturidade no combate ao desperdício. Os dados da Wiz indicam que menos de 5% das empresas brasileiras tratam a saúde dos funcionários como um ativo gerido via análise de dados, programas preventivos e acompanhamento constante de afastamentos e sinistralidade. 

A falta de monitoramento faz com que as empresas deixem de capturar eficiências operacionais. A consultoria estima que programas de prevenção e modelos preditivos bem estruturados têm potencial para entregar um retorno financeiro entre 40% e 60% acima do valor investido em um horizonte de até 18 meses. 

Atualmente, o uso dessa inteligência analítica está concentrado em poucas companhia : mais de 95% das corporações que adotam análise avançada de dados na gestão de saúde possuem mais de 5.000 funcionários.  

Pressão regulatória e embates no Judiciário 

Paralelamente, a agência adotou medidas cautelares diretas no mercado, incluindo a proibição temporária para que a operadora Hapvida rescinda ou reajuste contratos de 947 mil planos até a conclusão da análise do caso — decisão que gerou manifestações divergentes entre a operadora e o órgão regulador sobre a notificação oficial. 

 O ambiente de regulação em 2026 traz ainda a retomada do debate sobre cobranças de coparticipação — oito anos após a anulação da norma que permitia limites de até 40% — e a atuação do Judiciário sobre os chamados "planos falsos coletivos". Nestes casos, a Justiça tem determinado que contratos empresariais formados por poucos familiares sigam as regras e os índices de reajuste estipulados pela ANS para os planos individuais. 

  

Fonte: Exame




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