7 milhões de exames
No setor de diagnósticos, robôs também são usados para acelerar a análise dos exames e a liberação dos laudos. No ano passado, o grupo Fleury — de marcas como Labs a+, Felippe Mattoso, Lafe e Hermes Pardini — investiu R$ 108 milhões em inovação, o que, segundo a rede, gerou R$ 112 milhões em ganhos de eficiência e cerca de R$ 350 milhões em novas receitas.
Uma das mais recentes apostas da companhia foi a instalação de um sistema de automação no centro de processamento de amostras clínicas do Brooklin, na Zona Sul de São Paulo. A unidade é dedicada à operação Lab-to-Lab, que analisa exames de laboratórios parceiros.
Em vez das tradicionais esteiras, a estrutura utiliza pequenos veículos que transportam os tubos de exames por trilhos. Os tubos que chegam à unidade são capturados por robôs e colocados nesses pequenos veículos. Eles são destampados e seguem pelos trilhos até os analisadores, que retiram automaticamente as amostras para realizar os exames. Depois, os tubos continuam o percurso até os equipamentos seguintes.
Atualmente, a estrutura tem condições de liberar mais de 150 mil exames por dia, e 80% da rotina têm resultados liberados em até 180 minutos. Presidente da Unidade de Negócios do Fleury, Edgar Gil Rizzati acredita que o sistema tem capacidade de ser ampliado para processar até 7 milhões de exames por mês:
— É a maior linha de automação do tipo no mundo. Fazer a análise das amostras de maneira totalmente automatizada acelera muito o processo de realização dos exames.
A logística da operação também passou a contar com drones que transportam as amostras até os centros de análise.
Ressonância mais rápida
Outra frente que recebe investimentos contínuos é a de IA. O Fleury usa algoritmos de aprendizado de máquina para reduzir pela metade o tempo necessário para exames de ressonância magnética, que costumam incomodar crianças e pacientes com claustrofobia. Além disso, os recursos ajudam a melhorar a qualidade das imagens.
Já nos laboratórios da Dasa — das marcas Delboni, Lavoisier, Bronstein e Sérgio Franco — algoritmos de IA analisam laudos de exames e sinalizam mais de 40 condições que exigem atenção médica, como câncer de mama. Segundo Leonardo Vedolin, vice-presidente médico da Dasa, a estratégia ajuda a reduzir o tempo entre a descoberta e o início do tratamento de 17 dias para sete dias.
Nos hospitais, ferramentas de IA são usadas tanto na assistência aos pacientes quanto no dia a dia administrativo das unidades. No Sírio-Libanês, são 34 projetos de IA, dos quais 11 já em operação. Um dos exemplos é um sistema que analisa os prontuários e identifica sinais de risco de broncoaspiração dos pacientes internados.
— Mas nos processos clínicos e de conduta, a IA atua estritamente como um copiloto. A soberania e a decisão final continuam sendo 100% do médico e da equipe assistencial — ressalta Daniel Greca, diretor de Estratégia, Inovação e Crescimento do Sírio.
Na rede Américas, ferramentas de IA identificam nos laudos de exames por imagem condições de saúde que exigem mais cuidado, o que ajuda que o paciente inicie o tratamento mais rápido. Outra frente de uso são os eletrocardiogramas, nos quais uma IA separa os normais para que o laudo dos alterados saia primeiro.
— O paciente com infarto é diagnosticado mais rápido, e o tempo entre a entrada do paciente no hospital e a terapia cai, o que melhora o desfecho — resume Gustavo Pinto, diretor nacional de Serviço de Apoio Diagnóstico e Terapêutico (SADT) da Américas.
Confira os números
56% é o índice de maturidade digital dos hospitais brasileiros. Taxa da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) vai até 100%
80% dos resultados numa unidade do Fleury saem em 180 minutos. São 150 mil exames processados por dia na operação do centro do Brooklin, Zona Sul de São Paulo
Sete dias é o tempo entre o resultado e o início do tratamento. Nos laboratórios da Dasa, o uso de IA acelerou o tempo até começo da medicação que era de 17 dias