O Sírio-Libanês investiu R$ 60 milhões em sua faculdade que, em 2023, ganhou as graduações de psicologia, fisioterapia, enfermagem e biomedicina. Em 2025, foi aprovado o curso de medicina, com 100 vagas e alta demanda de alunos no vestibular.
Hospitais de referência têm caminhado para ter sua faculdade de medicina, tanto para formar o próprio corpo clínico quanto para colocar no mercado médicos mais bem capacitados, num cenário de cursos com qualidade duvidosa.
Recentemente, a BP-Beneficência Portuguesa de São Paulo e o Moinhos de Vento, de Porto Alegre, também tiveram aprovados seus cursos de medicina. O Einstein tem essa graduação desde 2015 e a próxima a abrir um curso de medicina será a Rede D’Or , por meio do Instituto D’Or, no Rio - praça que ainda não tem esse curso ligado a hospital.
Tom Zé já havia sido convidado para ocupar o cargo em 2021, mas declinou da proposta. Na época, o país vivia a segunda onda da pandemia da covid-19 e o HC montou uma megaestrutura para atender os doentes e os casos graves.
Passados cinco anos, voltou a ser convidado e, desta vez, algumas circunstâncias o fizeram pensar melhor. Seu filho, estudante da Poli-USP, o provocou dizendo que ele estava muito acomodado. “Eu nunca fui acomodado, mas os jovens cutucam”, disse. Além disso, enquanto acompanhava um familiar internado no Sírio-Libanês, em abril, Tom Zé se deparou com colegas nos corredores do hospital questionando “você veio?”, o que era prontamente negado.
Segundo o novo diretor, que compartilha a liderança do hospital com o médico Fernando Ganem, o Sírio-Libanês e o HC têm pontos em comum. Além do investimento em ensino e pesquisa, o Sírio-Libanês faz a gestão de 1,2 mil leitos SUS - é o dobro dos 600 leitos privados que possui nos hospitais de São Paulo e Brasília.
A saúde sempre tem seus desafios, maior ou menor, hoje, vivemos o da verticalização”
— Tom Zé
O Sírio-Libanês, ao lado de outros seis filantrópicos - AC Camargo, Alemão Oswaldo Cruz, BP, Einstein, HCor e Moinhos de Vento -, têm imunidade tributária que é revertida para projetos ligados ao SUS. Entre 2024 e 2026, a contrapartida total é de R$ 2,8 bilhões para 167 projetos.
O projeto de expansão envolve a abertura do novo hospital dia na zona sul da capital paulista. A unidade, com nove andares, recebeu investimento de R$ 173 milhões e deve ser inaugurada no primeiro trimestre de 2027. Hoje, a taxa de ocupação do hospital principal do Sírio-Libanês, em São Paulo, está em cerca de 85%. Com a abertura dessa nova unidade, espera-se uma redução. Essa também é a taxa de ocupação na unidade de Brasília, mas, por enquanto, não há informações sobre expansão.
O Sírio-Libanês fechou 2025 com receita de R$ 3,7 bilhões e superávit de R$ 540 milhões. Hoje, o ele tem presença em São Paulo e Brasília, com dois hospitais e oito unidades ambulatoriais.
Segundo o executivo, suas prioridades neste começo são busca por eficácia e eficiência e redução do desperdício - um problema que afeta o setor de saúde. Além de uma gestão de fácil interlocução com o time, sem burocracias. “Sempre trabalhei de portas abertas, não precisa marcar reunião para falar comigo, e deu certo. As pessoas que me convidaram conheciam meu trabalho. Vou continuar assim”, disse o novo diretor, que tem passagem também por AC Camargo, Philips e PepsiCo.
Tom Zé chega com a credibilidade no setor de saúde e bom relacionamento com os médicos, muitos deles já conhecidos da época do Hospital das Clínicas. Essa chancela deve ser um diferencial em sua gestão à frente do Sírio-Libanês, que teve dois executivos em cinco anos.
Ao deixar o HC, Tom Zé recebeu uma homenagem de cerca de 700 pessoas, entre médicos, professores, funcionários do HC, entre outros. “Foi uma homenagem que eu jamais imaginava. As pessoas até hoje mandam mensagem”, disse.