O Centro Universitário FEI firmou uma nova parceria estratégica com a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo ). A proposta ganhou urgência diante de um desafio da medicina, a alta taxa de erro e a demora na identificação exata da composição dos cálculos renais. Atualmente, o diagnóstico detalhado depende de exames caros, demorados ou de análises feitas apenas após a extração cirúrgica da pedra. Essa demora na agilidade dificulta a escolha do tratamento ideal imediato e aumenta as chances de reincidência da doença.
As instituições tiveram um projeto de Inteligência Artificial (IA) voltado para a saúde aprovado na concorrida Chamada Primeiros Projetos, que apoia o primeiro projeto de pesquisa científica de pesquisadores com vínculo em São Paulo que nunca lideraram auxílios regulares da fundação. O projeto da FEI surge para mudar essa realidade, usando a IA para cruzar dados clínicos e imagens de tomografia de forma instantânea. Em termos institucionais, a conquista ganha ainda mais peso pelo rigor da seleção da FAPESP, que escolheu apenas 85 propostas entre mais de 300 submetidas, sendo a FEI uma das seis únicas contempladas em todo o Grande ABC.
A Prof. Doutora Leila Bergamasco, coordenadora dos Cursos de Ciência da Computação e de Ciência de Dados e Inteligência Artificial da FEI, destaca que a aprovação consolida uma linha de pesquisa iniciada em 2022. “Ter esse projeto aprovado em um edital tão disputado representa a oportunidade de liderar minha própria linha de pesquisa de forma independente logo no início da carreira. O grande diferencial e a novidade desta iniciativa é que ela viabiliza de imediato uma robusta rede de colaboração internacional que conecta a FEI, o Hospital Universitário da USP (HU-USP), a University of Alabama, nos Estados Unidos, e a Universidade de Göttingen, na Alemanha, permitindo formar uma nova equipe de orientandos sob uma chancela global.”
Seguindo o planejamento da pesquisa, os trabalhos estão concentrados em sua fase inicial, focada no desenvolvimento e na estruturação da base de dados. Esta etapa operacional, que já está em andamento, engloba o envio do projeto ao Comitê de Ética em Pesquisa do HU-USP e o início da coleta de dados clínicos, espectrográficos e de imagens de tomografia computadorizada diretamente junto ao hospital parceiro. A equipe utiliza os primeiros algoritmos de IA da instituição para realizar a extração automatizada de características dos cálculos renais nas imagens médicas.
Os dados coletados neste momento servirão de alicerce técnico fundamental para os próximos passos da pesquisa. O cronograma prevê o desenvolvimento completo da arquitetura de fusão de dados e do sistema inteligente de recomendação terapêutica. O objetivo final do estudo é a entrega de um protótipo funcional para a geração automática de laudos médicos, transformando a tecnologia desenvolvida nos laboratórios da FEI em um benefício real para o atendimento a pacientes nos hospitais.