Quase 70% dos médicos já usam Inteligência Artificial
17/09/2026

Confiabilidade, segurança, regulamentação e maturidade digital. São diversos os fatores que englobam o debate sobre o uso de Inteligência Artificial na Saúde. A utilização da tecnologia por profissionais do setor, no entanto, já é uma realidade na rotina assistencial. Um estudo inédito realizado pela MV, revela que 66,1% dos médicos participantes utilizam ferramentas de IA de forma regular ou ocasional nas atividades diárias.

Os dados apontam que não há resistência médica à tecnologia. Paulo Magnus, CEO e fundador da companhia, reforça o papel da ferramenta. “A IA serve como um assistente quase invisível dos profissionais, facilitando e automatizando processos e jamais substituindo o raciocínio médico”, afirma.

O diagnóstico é a principal porta de entrada para essa transformação. O estudo O Uso de Inteligência Artificial por Médicos no Brasil, 1ª edição da pesquisa MV Insights, aponta que 56,6% dos médicos que utilizam IA aplicam a ferramenta para apoio à decisão clínica, como interpretação de exames, sugestão de CID e correlação de sintomas.
 

O uso prático também gera um efeito direto na segurança do profissional. A confiança média na tecnologia entre os médicos que usam IA regularmente é 26% maior do que entre aqueles que nunca a experimentaram.

Diferenças geracionais

Embora o senso comum sugira que os médicos mais jovens seriam os maiores adeptos a IA por terem crescido com a tecnologia, a pesquisa revela um cenário diferente. A disposição para investir financeiramente nessas ferramentas está muito mais ligada à combinação entre maturidade clínica e estabilidade financeira.

Exemplo disso é que médicos entre 6 e 20 anos de formação lideram a disposição para investir a partir do próprio bolso, isso significa que 85,7% pagariam por ferramentas de IA. Este mesmo grupo registrou o ticket médio mensal estimado de R$ 111/mês, contra R$ 65 dos profissionais em início de carreira e R$ 62 dos veteranos.

Barreiras econômicas

O estudo também indica um cenário favorável e receptivo à evolução tecnológica, mas ressalta que um possível gargalo para a expansão de IA no país pode ser estrutural. A principal barreira apontada pelos médicos foi o custo de implantação ou assinatura (30,4%), seguido pela dificuldade de integração com os sistemas de prontuário e gestão existentes (22,3%).

A pesquisa também notou diferenças de exigência entre os setores. Enquanto os profissionais da rede pública priorizam a relação entre custo e o Retorno sobre o Investimento (ROI), os médicos da rede privada são mais exigentes em relação à necessidade de treinamento e à comprovação de evidências científicas das ferramentas.

De acordo com Paulo Magnus, a infraestrutura digital já existe e vivemos um momento de transição. “Se no passado a digitalização esteve focada na informatização e nos prontuários eletrônicos, hoje a inteligência artificial é um elemento ativo na decisão clínica. Nosso compromisso é auxiliar os protagonistas desse ecossistema para garantir que a tecnologia seja uma parceira eficiente, segura e que apoie o lado humano do cuidado”, destaca o CEO da MV.

O estudo

O levantamento O Uso de Inteligência Artificial por Médicos no Brasil (1ª edição da pesquisa MV Insights) ouviu 196 profissionais do ecossistema de saúde, incluindo 112 médicos em atuação e formação nas cinco regiões do país. A pesquisa foi conduzida entre o segundo semestre de 2025 e o início de 2026.





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