A Fitch Ratings cortou a nota de crédito nacional da Hapvida de “AA+(bra)” para “A(bra)” e alterou a perspectiva da classificação de estável para negativa.
Os analistas Tatiana Thomaz, Natália Brandão e André Correa escrevem que o rebaixamento reflete a deterioração persistente dos perfis operacional e financeiro da Hapvida.
O cenário da companhia é marcado pela queima recorrente de liquidez, perda líquida de clientes, elevação dos custos com litígios judiciais e sinistralidade ainda em níveis desconfortáveis.
A agência destaca que a frustração na captura de sinergias operacionais e as complexidades remanescentes na integração de fusões e aquisições passadas travaram os ganhos de eficiência previstos, adiando a recomposição das margens operacionais.
O aperto no perfil de negócios da operadora intensificou-se pelo ambiente de maior concorrência, sobretudo no Sudeste, pela incidência de multas regulatórias e por descompassos entre a precificação dos planos e a base de custos assistenciais.
Os analistas estimam que o fluxo de caixa das operações permanecerá negativo nos próximos dois exercícios, projetando um déficit de R$ 280 milhões em 2026 e de R$ 45 milhões em 2027.
O consumo continuado de recursos deve postergar a desalavancagem, projetando uma alavancagem entre 3,5 e 4,0 vezes até o fim de 2027, com o alerta que a margem de manobra da Hapvida para cumprir obrigações tende a se esgotar com rapidez caso o fluxo operacional não reaja.