Johnson & Johnson avalia cisão de negócios de implantes de quadril e joelho
13/10/2026

A Johnson & Johnson está inclinada a realizar uma cisão de sua divisão de implantes de quadril e joelho, negócio que a companhia busca desmembrar, afirmou o diretor financeiro, Joseph Wolk. 
 

“Acreditamos que a melhor criação de valor neste momento para os acionistas da Johnson seja realizar a cisão diretamente”, declarou Wolk, em entrevista. 

A empresa chegou a negociar com a gestora Apollo Global uma potencial venda de aproximadamente US$ 20 bilhões, conforme apurado pelo jornal The Wall Street Journal. 

As declarações do executivo foram feitas enquanto a companhia divulgava que suas vendas avançaram 5,9% no trimestre recente, somando US$ 25,4 bilhões, levando o grupo a revisar para cima suas estimativas operacionais e financeiras para o fechamento do ano. 
 
 

As vendas de medicamentos sob prescrição impulsionaram os resultados trimestrais da farmacêutica, enquanto a divisão de dispositivos médicos apresentou expansão mais moderada. Embora tenha reconhecido que o braço de tecnologia médica exige ajustes, a administração afirmou estar a caminho de superar a marca histórica de US$ 100 bilhões em vendas anuais. 
 

A Johnson & Johnson é tratada como um termômetro para a indústria global de saúde pela abrangência e diversificação de seu portfólio de produtos. Seus números evidenciam a demanda resiliente por tratamentos médicos, em um momento no qual outros setores econômicos lidam com a contenção de gastos dos consumidores diante do encarecimento dos combustíveis e do custo de vida. 
 

Pesando sobre a linha final do balanço, contudo, esteve a longa batalha jurídica em torno de ações que alegam que o talco de sua linha infantil teria causado câncer de ovário. 
 

O lucro líquido da Johnson caiu para US$ 210 milhões, ou US$ 0,09 por ação, frente aos US$ 5,15 bilhões no mesmo período do ano passado, refletindo o impacto de provisões extraordinárias para a resolução proposta dos litígios. 

 

A companhia comunicou em julho que provisionaria US$ 5,5 bilhões para encerrar as disputas judiciais. A aquisição da Firefly Bio, concluída em julho, e uma parceria com a Sail Biomedicines também adicionaram despesas não recorrentes no trimestre. 
 

Excluindo os itens extraordinários, o lucro por ação ajustado da Johnson foi de US$ 2,59, superando o consenso de analistas compilado pela FactSet, que apontava para US$ 2,52. 
 

A receita consolidada também superou as previsões de Wall Street. O segmento farmacêutico faturou US$ 16,7 bilhões, avanço de 7,7% que bateu as projeções de mercado. Por outro lado, a área de dispositivos médicos somou US$ 8,64 bilhões em vendas, alta de 2,5%, ficando aquém do esperado por analistas. 
 

“A área de tecnologia médica precisa melhorar”, pontuou Wolk. “Com um crescimento de 2,5%, certamente não ficamos satisfeitos.” 
 

 

A farmacêutica anunciou em outubro de 2025 o plano de separar o negócio ortopédico DePuy Synthes, que comercializa próteses de substituição de quadril e joelho, além de dispositivos para reparo ósseo. 
 

Wolk destacou que o grupo vem avaliando alternativas estratégicas e considera a cisão em bolsa como a rota ideal. “Não temos restrição de caixa. Não precisamos aceitar um mau negócio para fazê-lo acontecer”, afirmou. 
 

Diante do desempenho comercial, a gigante da saúde elevou sua projeção para o lucro por ação ajustado no acumulado do ano para um intervalo entre US$ 11,05 e US$ 11,15, frente à estimativa prévia de US$ 10,96 a US$ 11,11. 
 

A empresa também elevou o piso de sua projeção de vendas anuais, situando o ponto médio da estimativa em US$ 101,2 bilhões, ante US$ 101,1 bilhões projetados anteriormente. 
 

 

 





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