Mais de 70% das mulheres estão fora da cobertura de mamografia no SUS
14/10/2026

Todos os anos, o Brasil se veste de rosa para falar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Mas existe um dado que incomoda e que precisa ganhar mais espaço nessa conversa.

Ao longo da última década, a cobertura estimada de mamografia de rastreamento no Sistema Único de Saúde (SUS), entre mulheres de 50 a 69 anos, não chegou a 30%, ou seja, mais de 70% não realizaram os exames necessários para detectar a doença, segundo dados disponíveis no Radar do Câncer, plataforma do Instituto Oncoguia que reúne indicadores públicos sobre o câncer no Brasil.

É um número que chama a atenção não apenas pela baixa cobertura, mas pela persistência do problema ao longo de tantos anos de campanhas de conscientização.
 

Por que tantas mulheres ainda estão fora do rastreamento? O que impede que a informação sobre a importância da mamografia se transforme em cuidado?

As respostas são muitas. Envolvem dificuldades de acesso aos serviços de saúde, desigualdades sociais e territoriais, obstáculos para agendar e realizar exames e também questões relacionadas à conscientização e à adesão das próprias mulheres ao rastreamento.

Para o Instituto Oncoguia, é preciso enfrentar todas essas barreiras. Mas existe uma que não pode continuar sendo ignorada: a falta de informação.

“É claro que precisamos continuar cobrando acesso, exames disponíveis e diagnóstico em tempo oportuno. Mas também precisamos olhar para aquilo que podemos transformar com informação. Ainda existem mulheres que acreditam que só precisam fazer mamografia se sentirem algum caroço, que não correm risco porque não têm casos de câncer na família ou que podem deixar o exame para depois. E essas ideias podem fazer com que oportunidades de diagnóstico precoce sejam perdidas”, afirma Luciana Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia.

Desigualdades

As desigualdades sociais, econômicas, raciais e territoriais interferem nas oportunidades de diagnóstico precoce. Por isso, conscientizar é fundamental, mas garantir acesso também é. Informação não resolve todas as barreiras. Mas a falta dela não pode ser mais uma.

Para Luciana Holtz, o Outubro Rosa precisa continuar sendo um momento de mobilização, mas também de reflexão sobre o que ainda impede as mulheres de cuidar da própria saúde.

“Eu trabalho com câncer há mais de 20 anos e sei o quanto a informação pode mudar a vida de uma pessoa. Sei também que existem mulheres que fazem tudo certo e, ainda assim, encontram portas fechadas quando precisam de cuidado. Não podemos responsabilizar as mulheres por todas as dificuldades do sistema de saúde. Mas também não podemos aceitar que alguém deixe de fazer um exame importante simplesmente porque não sabe que precisa, porque acredita em informações erradas ou porque não entende seus riscos”, conclui.





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