Brasil ultrapassa 138 mil autorizações da Anvisa para cannabis medicinal
15/10/2026

Em julho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu 21.762 autorizações para brasileiros importarem produtos à base de cannabis medicinal, um aumento de 19,4% em relação a junho e de 33,4% na comparação com o mesmo mês de 2025. Esse é o segundo maior volume de importações registrado na história, ficando atrás apenas de março deste ano (23.199).

No acumulado dos sete primeiros meses, já são mais de 138 mil autorizações concedidas pelo órgão regulador, média de 19,7 mil e crescimento de 29,5% sobre o mesmo período de 2025. Os dados fazem parte de um levantamento realizado pela Cannect, ecossistema de saúde voltado ao cuidado integral de pacientes com doenças crônicas, a partir de informações obtidas via Lei de Acesso à Informação (LAI).



 

“Os números confirmam que a cannabis medicinal deixou de ser nicho no Brasil. 2026 é o ano da virada, e 2027 deve consolidá-la. As novas diretrizes da Anvisa viabilizam, no médio prazo, uma produção nacional voltada a formulações mais simples, enquanto a importação continuará essencial para oferecer a diversidade e a complexidade terapêutica de que muitos pacientes precisam. O futuro do setor é um modelo híbrido, e não a troca de um modelo por outro.”, avalia Allan Paiotti, CEO da Cannect.

A legislação atual permite que apenas alguns produtos derivados de cannabis sejam comercializados em território nacional. No entanto, a Anvisa possibilita que pacientes importem medicamentos ou outros itens à base da planta, prescritos por um médico ou dentista e mediante autorização prévia emitida pela própria agência.

Dessa forma, brasileiros com doenças crônicas, como dor, ansiedade, insônia, autismo, Parkinson e epilepsia, condições para as quais há maior recomendação e evidências científicas sobre o uso da cannabis, conseguem realizar tratamentos com produtos que contêm o princípio ativo natural.

Esse cenário de alta demanda reflete um novo momento de amadurecimento regulatório do setor. De acordo com diretrizes recentes da Anvisa publicadas nos últimos meses e em fase de regulamentação, o Brasil avança em direção a uma nova fase industrial: além dos produtos finalizados, a agência estabeleceu regras claras para a importação de matérias-primas — como a própria espécie vegetal, extratos e o fitofármaco canabidiol (CBD) — visando à pesquisa, o desenvolvimento e a fabricação nacional de insumos e medicamentos.

“Para o mercado, essa estruturação governamental, que inclui regras de cotas de importação e distribuição local, é um passo definitivo para profissionalizar a cadeia produtiva e garantir o abastecimento seguro a longo prazo”,  conclui Paiotti.





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