O Fleury apurou um lucro líquido de R$ 264,3 milhões no terceiro trimestre, o que representa um salto de 42,9% sobre o mesmo período do ano passado. O lucro líquido veio acima do consenso do mercado que estimavam um indicador na casa dos R$ 250 milhões.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) subiu 12,2%, para R$ 672,2 milhões, e a receita líquida, cuja alta foi de 13,4%, atingiu R$ 2,5 bilhões, no período.
“Tivemos mais um trimestre de resultado consistente, com crescimento de duplo dígito. Houve crescimento importante em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais e estamos ganhando market share”, explicou Jeane Tsutsui, CEO do Fleury.
“Além desses fatores, o resultado foi beneficiado por menores despesas financeiras, porque a taxa de juros no ano passado era maior, e menos depreciação”, disse José Filippo, diretor executivo de finanças e de relações com investidores do Fleury.
No acumulado dos nove meses, a companhia também apura alta, de 33%, na última linha do balanço, que ficou em R$ 687,4 milhões.
Expansão da rede
A bandeira Fleury cresceu quase 9% sobre o ano passado. Boa parte desse avanço veio de ganho de market share, uma vez que o mercado premium, segmento de atuação da marca, está estagnado.
Em São Paulo, praça em que a companhia vem ampliando presença no interior por meio de aquisições, a expansão foi de 32%, sendo 10,6% de crescimento orgânico. Entre as aquisições anunciadas recentemente estão a Unilab (em Atibaia), Confiance (Campinas) e São Lucas (Rio Claro), além do Femme, na capital paulista.
O Fleury também cresceu no Rio de Janeiro, região em que o setor de saúde enfrenta desaceleração e crise por conta de fechamento de operadoras como Unimed-Rio e Golden Cross.
A companhia encerrou o terceiro trimestre com uma alavancagem de uma vez o Ebitda. Mesmo num cenário de estagnação da taxa Selic, o Fleury vai manter esse patamar de endividamento e a política de realocação de capital, que é baseada em redução de dívida, pagamento de dividendos e aquisições estratégicas.
“Mesmo com as aquisições mantivemos a alavancagem, porque adquirimos negócios geradores de resultado”, disse a CEO do Fleury.
Em setembro, a companhia renegociou dívidas com um custo menor. No segundo trimestre, a empresa tinha uma dívida líquida de R$ 2,2 bilhões. “No próximo ano, não temos dívidas a pagar por conta das renegociações que fizemos”, explicou Filippo.
Fim da escala 6x1
Questionada sobre os impactos do fim da escala 6x1, a CEO do Fleury informou que a companhia está acompanhando os desdobramentos das negociações dos representantes do setor de saúde, uma vez que boa parte da categoria trabalha em escala 12x36 e pleiteia uma atenção diferenciada. “Temos várias escalas, na equipe que atua nos hospitais, nas centrais de processamento e unidades. Ainda não temos o impacto”, disse Jeane.
Em relação à reforma tributária, a expectativa é de que o impacto seja neutro porque o setor da saúde é beneficiado pelo redutor de 60%, segundo o diretor de finanças.