Família Bueno investe em startup de saúde
15/08/2017
A DNA Capital - empresa de investimentos da família Bueno, fundadora da Amil - está investindo em empresas iniciantes (startups) da área da saúde. Além de ser acionista da maior operadora de convênios médicos do país, a família Bueno é dona da rede de laboratórios de medicina diagnóstica Dasa e do Ímpar, grupo com seis hospitais como Santa Paula e 9 de Julho, ambos localizados em São Paulo.

O primeiro aporte da DNA Capital em startups foi feito na Beep Saúde. Trata-se de uma plataforma tecnológica que oferece serviços como atendimento médico domiciliar, venda de vacinas e exames, softwares para telemedicina, entre outros. A primeira rodada de investimento foi de R$ 5 milhões para um período de 18 meses e outros aportes podem ser efetuados após esse prazo.

Numa estratégia casada, a Beep fechou também parceria com a Dasa. O cliente compra a vacina ou o exame na plataforma e realiza os procedimentos num dos laboratórios do grupo, que inclui redes como Lavoisier. "Por conta do acordo e volume conseguimos preços diferenciados", disse o médico Vander Corteze, um dos fundadores e presidente da Beep Saúde. Um exemplo é a vacina meningocócica que é comercializada por R$ 600 em São Paulo e R$ 700 no Rio e vendida a R$ 490 na plataforma da Beep.

Corteze também está negociando com as seguradoras e operadoras de planos de saúde para que elas paguem o atendimento médico domiciliar. "É normal as pessoas irem ao pronto-socorro para casos simples, mas o custo é maior por causa da infraestrutura do hospital. Uma consulta médica domiciliar é mais barata para a operadora", disse o presidente da Beep. Uma consulta em casa acionada por meio da plataforma custa em média entre R$ 200 a R$ 500 para o usuário do serviço. A locomoção do médico até a residência do paciente é feita por meio de um carro da Uber que, por sua vez, é acionado pela Beep.

Outra aposta da startup é a telemedicina. A legislação brasileira não permite atendimento médico a distância, mas se o paciente estiver acompanhado de um médico e precisar acionar um outro especialista, esse contato pode ser feito por meio de uma plataforma tecnológica. A Beep já trabalha nesse modelo com a Connect Care, uma clínica de atendimento primário no Rio de Janeiro. Segundo Corteze, algumas operadoras como Omint, SulAmérica e Golden Cross cobrem esse tipo de atendimento a distância.

Lançada no ano passado, a Beep Saúde tem 800 médicos cadastrados em São Paulo e no Rio de Janeiro. "Realizamos cerca de 1 mil consultas médicas por mês e a nossa meta é que até o fim do ano esse número dobre", disse Corteze.

A DNA tem sob sua gestão vários fundos de investimento que controlam, por exemplo, a Dasa e a Ímpar. O family office não é responsável pela gestão operacional desses negócios, mas está à frente de determinados trabalhos como aquisições e emissão de ações. Na semana passada, a companhia de medicina diagnóstica aprovou uma emissão de R$ 400 milhões em debêntures que foi coordenada pela DNA.

A Dasa é a maior companhia de medicina diagnóstica do país, com faturamento de R$ 1,8 bilhão no primeiro semestre deste ano, uma alta de 8,3% em relação ao mesmo período de 2016. Em janeiro, o grupo adquiriu o laboratório Salomão Zoppi por R$ 600 milhões.
Fonte: Valor




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