Indústria se prepara para avanço do blockchain
20/03/2018
O segmento de datacenters prepara-se para o avanço do blockchain (cadeia de blocos), modelo de processamento ainda em desenvolvimento que usa redes de computação distribuídas e promete mais segurança do que os métodos tradicionais.

A tecnologia funciona como um livro-razão descentralizado com registros invioláveis de transações. Seu uso mais generalizado ainda é a geração e validação de moedas virtuais, como bitcoin e monero, mecanismo conhecido como mineração. Mas todos os dias surgem novas aplicações para as mais variadas atividades econômicas, de serviços bancários a comercialização de diamantes.

Estimativas de demanda global por produtos e serviços relacionados com blockchain dimensionam o potencial. Esse mercado atingirá US$ 7,7 bilhões em 2022, contra US$ 412 milhões em 2017, de acordo com a empresa de pesquisa Markets & Markets.

Três de cada dez grandes empresas no mundo experimentam a tecnologia, em diferentes estágios, segundo a 451Research. A tendência representa oportunidades e desafios para datacenters, dizem especialistas.

Há no mercado um sem número de estruturas de suporte (framework) para construção de aplicações baseadas em blockchain voltadas tanto à execução de processos de negócio quanto à mineração de criptomoedas, segundo Fábio Luis Marras, chief technology officer (CTO) para indústria financeira da IBM Brasil.

Ele diz que alguns processos críticos de negócio que serão implementados em cadeia de blocos demandarão capacidade de infraestrutura de processamento escalável, de segurança e de alto desempenho.

"Os datacenters deverão estar capacitados para atender a esses requerimentos por meio do uso de novas tecnologias, tais como processadores criptográficos, contêineres seguros e armazenamento de dados que atendam a rígidos padrões de segurança, proteção, disponibilidade e continuidade", diz.
 
Entre as oportunidades relacionadas com processos de negócio, ele destaca a oferta de soluções baseadas em plataformas comercializadas como serviço, ou seja, cobradas por transações, ativos registrados ou acessos. Cita como exemplo a IBM Food Trust, construída nas plataformas de nuvem e blockchain da fornecedora. Por meio dessa solução, empresas compartilham dados de produtos alimentares, que são usados para rastrear a proveniência de alimentos ao longo da cadeia de suprimentos.

A IBM tem mais de 400 projetos de blockchain baseados em tecnologias abertas ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Para impulsionar iniciativas locais, a fornecedora prepara para as próximas semanas disponibilização de sua plataforma global de blockchain em seus datacenters no país. "Alguns serviços regulados poderão exigir que o processamento e o armazenamento de dados sejam restritos ao território nacional, o que também demandará a utilização de datacenters locais".

Para Alan Castro, gerente de serviços para cibersegurança da Symantec, os benefícios com o avanço do blockchain vão muito além de fôlego para expansão dos datacenters. "A tecnologia ajudará a dar transparência e segurança a processos como os relacionados com serviços públicos, armazenamento de dados pessoais e até com votação eletrônica, entre outros", diz. Quanto aos riscos, muitos já são vislumbrados. "Carteiras de moedas virtuais armazenadas em datacenters são ativos valiosos, e já há caso de roubos causando prejuízo financeiro e descrédito das empresas responsáveis."

Na RSA, o time de inteligência captou número crescente de fraudadores que optam por hospedar seus sites em blockchain e registrar domínios usando um DNS baseado nessa tecnologia (como.bazar,.bit,.coin, entre outros). Segundo o diretor da divisão técnica para a América Latina da RSA, Marcos Nehme, cresce na deep web a comercialização de servidores hospedeiros dedicados que são oferecidos por falsários como "à prova de balas" para efeito de remoção.

"O caráter descentralizado do blockchain torna muito difícil para o datacenter identificar em sua infraestrutura servidor dedicado a algum tipo de fraude", diz Nehme, que prevê uso crescente dessa tecnologia como "muleta" para cibercriminosos.

Um exemplo de ataque relacionado com blockchain ocorreu no fim de 2017, envolvendo a gigante russa de oleodutos Transneft. Segundo a agência de notícias Reuters, a estatal informou que seus servidores foram usados para fabricação não autorizada da moeda virtual monero, com impacto negativo sobre a produtividade de sua capacidade de processamento.

A empresa excluiu dos sistemas o software malicioso (malware) que possibilitou a mineração invisível, segundo seu porta-voz.

Fonte: Valor




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