Rede D'Or capta R$ 6,8 bi, reduz dívida e amplia leitos
23/03/2018
Em apenas 12 meses, a Rede D'Or levantou R$ 6,8 bilhões em emissões de papéis para financiar seu crescimento orgânico, aquisições de hospitais e reduzir dívida. Na última sexta-feira, o maior grupo hospitalar do país concluiu uma captação de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) no valor de R$ 660 milhões que serão usados para a construção de 1,7 mil leitos nos próximos dois anos.

A Rede D'Or é dona de 37 hospitais que juntos têm 6,2 mil unidades de internação e a meta é atingir 9 mil por meio de expansão orgânica e compra de ativos em dois anos. "Hoje, temos um saldo em caixa de R$ 4 bilhões que é suficiente para suprir nosso crescimento até 2021", disse Otávio Lazcano, diretor financeiro da Rede D'Or.

Com os recursos, a companhia quitou R$ 2,5 bilhões das dívidas com taxa de juros elevada e alongou o prazo médio dos demais financiamentos de três para cinco anos. A dívida líquida hoje está em torno de R$ 2,5 bilhões - patamar equivalente ao registrado em 2016, mesmo com as cinco aquisições e investimento de R$ 1 bilhão em crescimento orgânico no ano passado. É a primeira vez que uma rede hospitalar brasileira conclui uma operação com CRIs, ferramenta usada pelo mercado imobiliário.

Em 2013, a Rede D'Or já havia tentando essa forma de captação, mas a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vetou a operação com a alegação de que os rendimentos dos papéis viriam de atividades hospitalares e não imobiliária. Segundo o executivo, a rede voltou a conversar com a autarquia mostrando seus investimentos na construção de hospitais. O interesse dos investidores pela primeira emissão de CRIs da Rede D'Or foi elevado, com uma demanda 80% superior à oferta inicial estipulada em R$ 500 milhões. Com a demanda, o grupo exerceu os lotes suplementar e adicional levando a uma captação de R$ 660 milhões.

Outra operação recente que chamou atenção do mercado foi a emissão de US$ 500 milhões em bonds, concluída em fevereiro. "Mesmo não sendo uma companhia listada e sem tradição em operações externas, conseguimos fechar a captação com custo inferior a 5% ao ano, prazo final [de amortização] de 10 anos e condições de [empresas com] investment grade", disse Lazcano.

A Rede D'Or aproveitou uma das melhores "janelas" do mercado internacional. Apesar de ser novata em captações externas, conseguiu boas condições de custo que compensaram a operação de swap para evitar os riscos de oscilação do câmbio, uma vez que toda sua receita é gerada em moeda local. Além disso, a empresa dificilmente conseguiria emitir papéis nessa cifra com prazo de 10 anos no Brasil.

Entre os planos em andamento, o grupo está construindo três hospitais especializados em oncologia em São Paulo, no Rio e em Brasília, cujos projetos são liderados pelo médico Paulo Hoff. Além disso, investe na construção de hospitais "premium" com a bandeira Star.
Fonte: Valor




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