Nova tecnologia muda gestão na área de saúde
29/03/2018

Tecnologias baseadas em internet das coisas (IoT) começam a proporcionar impactos positivos no atendimento de pacientes e na gestão dos hospitais. Há soluções que controlam a temperatura de medicamentos e localizam rapidamente de médicos a equipamentos em grandes complexos de saúde. Instituições como a Santa Casa de Valinhos (SP) e o Hospital das Clínicas de São Paulo já são usuárias das novidades.

A Taggen, empresa nacional que desenvolve soluções baseadas em IoT, quer disputar esse mercado com os beacons, dispositivos de 3 cm a 6 cm que usam tecnologia bluetooth e podem ser detectados por celulares e dispositivos conectados à internet. São usados para localizar, em tempo real, veículos, equipamentos e pessoas. "Basta fixá-los aos objetos que se deseja monitorar e leitores enviam as informações para um serviço em nuvem, que mapeia a localização de cada item", explica o CEO Werter Padilha.

De acordo com o executivo, um dos diferenciais do produto é o maior alcance do sinal de comunicação - 150 metros, comparados a 70 metros de concorrentes estrangeiros. Foi lançado em 2017 e criado em parceria com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD). A empresa também desenvolveu uma plataforma que permite analisar os dados coletados por meio de gráficos e alertas.

Na área de saúde, a ferramenta pode ser utilizada para dinamizar o trabalho das emergências, ao localizar médicos e enfermeiros, e rastrear equipamentos, como cadeiras de rodas ou itens móveis de unidades de tratamento intensivo (UTIs). "Isso permite a redução do tempo de atendimento, de custos operacionais para a manutenção de máquinas, além do maior controle dos ativos."

Um dos projetos-pilotos da empresa envolve o rastreamento de equipamentos hospitalares na UTI da Santa Casa de Valinhos. O contrato, em parceria com a Biocam, do segmento de healthcare (cuidados com a saúde), surgiu da necessidade de atualizar o inventário, monitorar e localizar máquinas. Entre os itens rastreados estão monitores cardíacos, bombas de infusão e aparelhos de exames eletrocardiográficos. A Santa Casa tem 102 leitos e realiza, em média, 450 cirurgias e 800 internações mensais.

A meta da instituição, segundo a Taggen, é ampliar o projeto com a instalação dos beacons em equipamentos do pronto-socorro e do centro cirúrgico, chegando a cem itens.

Padilha afirma que cerca de 5% do faturamento da empresa já vêm da área de saúde. A previsão para 2018 é superar os R$ 2 milhões de faturamento. "Esperamos que os projetos nesse segmento respondam por 20% do faturamento total, até 2021." A companhia também atua em setores como cidades inteligentes e indústria.

Para atender mais clientes, novas versões dos beacons estão em desenvolvimento. A ideia é oferecer unidades sob medida para rastrear pets e rebanhos, além de apoiar companhias que trabalham com estoques de alto valor agregado. Há, ainda, uma versão para ser utilizada como um crachá, que incorpora as tecnologias de leitura das catracas corporativas, mas também localizam funcionários em ambientes que exigem monitoramento.

Uma das principais barreiras para dinamizar as vendas dos produtos é a falta de conhecimento sobre as novas facilidades, afirma o empresário. "São tecnologias disruptivas que levam a mudanças de cultura e de práticas estabelecidas", analisa. "Promover uma transformação de mentalidade é um desafio."

Para Douglas Pesavento, CEO da catarinense Sensorweb, há um "boom" de empresas nacionais entrantes na área da saúde, bem diferente do que presenciou em 2011, quando ingressou nesse nicho. "Por ser um segmento considerado 'fechado', onde todos se conhecem, o investimento e o tempo para entrar no ramo são altos", diz. "Aprendemos isso na prática."

A Sensorweb entrega uma solução para o monitoramento de temperatura de insumos críticos, como medicamentos de alto custo, bolsas de sangue e amostras de pesquisa. Os sensores são instalados em câmaras frias e freezers e analisam a temperatura em tempo real. Os dados são enviados via internet para um servidor na nuvem e tratados por meio de relatórios e histórico de medições. "Se a temperatura não fica dentro do exigido, esses materiais são descartados, gerando desperdício de dinheiro e queda na qualidade do atendimento."

Para se destacar da concorrência, produz os sistemas e presta serviços de implantação dos equipamentos, treinamento e suporte 24 horas. Com uma carteira de mais de 90 clientes em dez Estados, atende o Grupo Fleury e o Hospital das Clínicas de São Paulo. A empresa registrou um crescimento médio de 50% no faturamento, nos últimos três anos.
Fonte: Valor




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