Interesse de fundos inclui saúde, educação e mobilidade
29/03/2018
Casos como 99, PagSeguro e Nubank evidenciam o crescimento do mercado de startups no Brasil. Tais empresas ultrapassaram US$ 1 bilhão em valor de mercado, ingressando na lista de companhias conhecidas como "unicórnios". A PagSeguro fez uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) em janeiro na Bolsa de Valores de Nova York. Também no primeiro mês do ano a Didi Chuxing comprou o aplicativo de transporte 99. Já o Nubank captou, no início de março, US$ 150 milhões em sua sexta rodada de investimentos.

O cenário é promissor e traz oportunidades de investimento para fundos de venture capital. "Estamos muito animados com o ecossistema de startups", afirma Marcos de Toledo Leite, co-fundador do fundo Canary, que tem entre os investidores nomes como Julio Vasconcellos, sócio-fundador do Peixe Urbano e Mike Krieger, co-fundador do Instragram. Desde o início de 2017, o Canary já analisou mais de 600 startups e investiu em 24 delas. "Nosso foco é achar ótimos times de fundadores criando negócios que possam ser muito grandes no Brasil", explica Leite.

O portfólio do fundo inclui empresas de diversos segmentos, como saúde, educação, mobilidade, fintechs, marketplaces e lawtechs (startups do mercado jurídico). Na lista está a IDwall, startup voltada para atender regulamentações (regtech), criada em janeiro de 2016 pelos especialistas em análise e desenvolvimento de sistemas em computação, Lincoln Ando e Rafael Melo. Com investimento inicial de R$ 150 mil, captado com investidores-anjo, a startup nasceu para ajudar empresas a encontrar fraudes de identificação e documentação.

Em junho de 2016, a IDwall recebeu um aporte de R$ 500 mil da 500 Startups e, em março do ano passado, fechou a segunda rodada de captação no valor de R$ 2 milhões, com participação do Canary e da monashees.

"Até aqui, nossa prioridade foi investir em tecnologia, contratando pessoas muito capacitadas. Agora começaremos a ampliar o marketing e a área de vendas", conta Lincoln Ando. Entre os 41 clientes, a IDwall atende o aplicativo 99 e as fintechs Vindi e Geru.

Com 70 empresas no portfólio, a monashees vê com bons olhos a evolução das startups no Brasil, não apenas pelo crescimento significativo no número de empresas, mas também pelo surgimento de oportunidades fora do eixo Rio-São Paulo, por exemplo, nas cidades de Belo Horizonte e Florianópolis. O fundo mantém forte presença em logística e mobilidade urbana, com investimentos em companhias como 99, Loggi, Mandaê, Foxtrot e Rappi.

Em 2017, a monashees realizou 10 novos investimentos nos segmentos de fintech, digital health, agritech, data analytics e SaaS, assim como 13 follow-ons, com rodadas de investimento em startups do portfólio, entre elas 99 e Neoway.

Novas rodadas de investimento sinalizam amadurecimento das startups, como ocorreu com a fintech Creditas duas vezes no ano passado. "Fizemos muito follow-on, com 13 rodadas de investimento nas empresas do portfólio, valor que soma mais de US$ 100 milhões", conta Manoel Lemos, sócio da Redpoint e.ventures, que tem 26 empresas no portfólio.

Apesar de não definir nichos de interesse, o fundo observa com atenção as fintechs e as soluções em saúde e educação, além de softwares para PME e varejo. "Vamos ver soluções cada vez mais especializadas, como insurtechs, regtechs, blockchain, entre outros", aponta.

A Bossa Nova Investimento s concentra seu olhar em startups B2B, ou seja, que ofereçam serviços para outras companhias. Em 2017, a empresa de investimentos fez aportes em 59 startups, com ênfase em soluções para o varejo (retailtech) e sistemas de gestão e vendas. "Em 2018, estamos olhando para insurtechs, blockchain e empresas de tecnologia na área de telecomunicações", afirma João Kepler, diretor da Bossa Nova Investimentos.

Para Rafael Ribeiro, diretor-executivo da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), além de educação, saúde e agronegócio, outros segmentos tendem a ganhar força, incluindo turismo, internet das coisas (IoT), cleantech (soluções de energia limpa) e indústria 4.0. "Ainda assim, os marketplaces, por exemplo, costumam ser atraentes para os investidores porque já têm um nível de receita bem claro", observa.

Prova disso é a Volanty, marketplace digital de carros usados, que captou R$ 2,5 milhões antes mesmo de a empresa entrar em operação, em maio de 2017. A rodada contou com aporte do Canary e de outros investidores não revelados.

A startup faz a intermediação entre comprador e vendedor e, por esse serviço, recebe 7% de comissão. "Comercializamos, em média, 30 carros por mês", diz Maurício Feldman, CEO da Volanty. Para os próximos 18 meses, a meta é abrir de 10 a 15 pontos físicos no Rio e em São Paulo.


Fonte: Valor




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