BR Pharma condiciona pagamento a leilão
12/04/2018
Pelo plano de recuperação judicial publicado ontem pela Brasil Pharma, a PPLA, maior credora da empresa, terá que avaliar se aceita uma proposta de pagamento inicial mínimo de R$ 4 mil, com desconto de 95% no saldo remanescente da dívida da rede varejista. É a proposta com o desconto mais alto e o pagamento depende da venda de ativos por meio de leilão. As dívidas do grupo com a PPLA atingem cerca de R$ 1 bilhão.

A PPLA é um veículo de investimento dos principais sócios do banco BTG - e serão eles que, no fim das contas, devem definir se o plano será aprovado, já que são donos de cerca de 80% dos débitos totais. A PPLA entrou na lista de credores sem garantias reais (quirografários) e a este conjunto de credores cabe essa proposta.

O pagamento só ocorrerá se for concluída com êxito a venda, por meio de leilão, de seus negócios - como as redes Big Ben e Sant'ana - e em pagamentos até 30 dias após a alienação. A empresa já tem buscado se desfazer de seus ativos há alguns anos, e vendeu parte dos negócios nos últimos dois anos.

A segunda opção apresentada a esses credores sem garantia real é de pagamento integral do crédito em parcela única em até 30 anos da homologação do plano de recuperação judicial.

Segundo fonte próxima à BRPharma, as dívidas da PPLA têm garantias reais, por meio da alienação fiduciária de ações da BR Pharma. Mas por causa da perda de valor de mercado da companhia, essas ações representariam entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões, diz a fonte. E a diferença entre o valor da dívida e da garantia entra como crédito quirografário.

Num dos acordos de dívida, de uma emissão de R$ 400 milhões em debêntures subscritas pela PPLA, foram dadas "garantias reais sobre participações acionárias detidas por determinadas garantidoras e direitos creditórios de titularidade de subsidiárias" do grupo.

Procurada para comentar o assunto, a PPLA não se manifestou.

Se o plano não for aprovado em assembleia geral de credores, em data a ser divulgada, é decretada a falência da empresa.

Os sócios do BTG são credores numa empresa que foi construída com o intuito de criar um braço de varejo farmacêutico do BTG. Em abril de 2017, a BTGI Prop Feeder, controlada pelo BTG Pactual, acertou a venda da sua participação indireta na Brasil Pharma. Foram vendidas para a Lyon Capital, do empresário Paulo Remy, ações que a BTGI tinha da Stigma Cayman, a empresa que controla a rede.

O negócio foi fechado pelo valor simbólico de R$ 1 mil. O BTG tem esclarecido que a PPLA não tem qualquer relação com o banco.
Neste momento, há dúvidas sobre a probabilidade de os sócios do BTG aprovarem o plano nessas condições. A proposta pode passar por alterações após a homologação em assembleia.

No caso das pequenas e micro empresas credoras, elas também serão pagas com rateio da venda de ativos, com pagamento inicial mínimo de R$ 2 mil por credor, em até 30 dias da data do recebimento da alienação de ativos. Neste caso, a empresa propõe um desconto de 75% no saldo da dívida. Para esses credores, os valores totais são inferiores a R$ 150 milhões. A empresa tem, ao todo, cerca de 15 mil credores.
O plano ainda tem como foco o encerramento das operações de lojas próprias e manutenção da rede de franquias, com 433 pontos em nove Estados. A empresa considera que as franquias operam com "baixa necessidade de capital e reduzido custo de expansão", além de geração positiva de caixa, o que justifica manter a operação em funcionamento.

Pelo plano, as empresas do grupo (que inclui as redes Big Ben e Sant'ana) se organizarão em sociedades de propósito específico (SPE) para serem alienadas individualmente ou conjuntamente, por meio de leilão no prazo máximo de 60 dias contados a partir da homologação do plano.

Após a publicação do plano de recuperação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ontem, as ações começaram a se valorizar rapidamente, o papel entrou em leilão e fechou o dia com alta de 11,96%, a R$ 2,06.

Ao comentar razões que levaram a situação atual da rede, a empresa afirma no documento que a recente crise econômica que afetou o varejo levou a redução de linhas de crédito (com declínio da liquidez) e queda nas vendas. Na prática, o setor foi um dos que menos sentiu a crise no consumo, e outras empresas líderes do setor mantiveram aumento de receita a lucro durante a recessão. Analistas entendem que decisões estratégicas erradas tiveram peso na crise vivida pela empresa. A empresa ajuizou em 10 de janeiro o seu pedido de recuperação judicial.


Fonte: Valor




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