Dispositivo móvel por aproximação é a principal aposta
21/05/2018
A criação de tecnologias inovadoras no setor financeiro tem feito os principais agentes de mercado acompanhar de perto as demandas dos novos tempos. A corrida é pelo lançamento de dispositivos de pagamento sem contato (contactless payment), ou por aproximação - por meio de cartões, pulseiras, anéis, celulares e relógios que se conectam a terminais ou maquininhas de cobrança.

A tecnologia sem contato permite que os consumidores paguem com um cartão ou qualquer outro dispositivo móvel aproximando-o de um terminal habilitado - sem a necessidade de leitura do chip e, em muitos casos, de senha. Análise feita pela Americas Market Intelligence (AMI), empresa de inteligência de mercado e estratégia, revela que a migração para os cartões com esse tipo de recurso é a estratégia mais competitiva para reduzir o uso de dinheiro em espécie e acelerar a adoção da próxima geração de tecnologias de pagamento via celular, vestíveis e outras soluções com IoT (internet das coisas, na sigla em inglês).

Encomendado pela Visa, o estudo da AMI analisou o modelo dos pagamentos sem contato na América Latina e concluiu que apesar de representarem menos de 1% das transações com cartão, eles constituem a melhor forma, pois oferecem uma experiência rápida e segura.

O Brasil foi um dos pioneiros na implementação da tecnologia contactless na região e muitos adquirentes iniciaram, ou já concluíram, a atualização de seus terminais POS para aceitar pagamentos sem contato. A penetração nos principais mercados da região varia e está em cerca de 37% no Peru e quase 75% no Brasil. "O cartão deixa de ser o método único de pagamento. Não é mais a indústria que vai ditar a regra. O consumidor é quem vai escolher o dispositivo que vai usar", afirma Leandro Garcia, gerente de produtos da Visa do Brasil.

As primeiras experiências mostram que os pagamentos tornam-se mais rápidos e são a base de novos usos que combinam tokens, biometria, NFC e outras plataformas. Nos dispositivos são permitidos pagamentos de até R$ 50 no Brasil e US$ 100 nos EUA, sem uso de senha ou autentificação do portador.

A percepção inicial da Visa era de que os dispositivos fossem usados para quantias pequenas, o que nem sempre ocorre. "O limite do valor de uso é o mesmo do cartão e quem o determina é o banco." As três instituições que comercializam a pulseira da Visa hoje são Banco do Brasil, Trigg e Brasil Pré-Pagos. Já o dispositivo via celular é distribuído pelo Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil (BB), Caixa Econômica Federal, Neon e BPP.

Garcia explica que boa parte da adaptação aos novos dispositivos depende do adquirente e que a tecnologia apesar de ter sido desenvolvida globalmente sofreu adaptações para entrada no mercado brasileiro. "Só o Brasil usa opcionalmente débito e crédito em um mesmo cartão. Já as pulseiras também receberam design e material diferenciado aqui", diz.

Lançado há dois anos no Brasil, o Samsung Pay se denomina como carteira de pagamentos. "O consumidor pode sair de casa sem carteira. Mas não sem o celular", afirma Paulo César Nascimento, gerente sênior da Samsung Pay no Brasil. A tecnologia também permite que o usuário fotografe os outros cartões como de plano de saúde ou de fidelidade e gere um código de barras no próprio aparelho. Atualmente existem 5 milhões de aparelhos compatíveis com essa tecnologia da Samsung no Brasil.

"São realizadas 430 mil interações únicas com o aplicativo por mês e há 1,5 milhão de usuários no app. A meta é chegarmos a 8 milhões de aparelhos, pois os bancos começaram a comunicar sua base de clientes, o que permite expandir mais rápido", diz César, que hoje trabalha com BB, CEF, Santander, Bradesco, Banrisul, Neon, Inter, Brasil Pré-Pagos e Bancoob. O próximo passo é criar um ecossistema integrado de serviços unindo a loja de aplicativos e a de temas da empresa ao Samsung Pay.
Já a Adyen, que processa os pagamentos de empresas como Uber, Netflix, Magazine Luiza, Dafiti, Cabify e Netshoes foi uma das primeiras a fazer integração com carteiras digitais como Google Pay e Apple Pay no Brasil.

A empresa ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão de faturamento mundial, com mais de US$ 120 bilhões em transações. No Brasil, atinge mais de 50 milhões de pessoas com seus serviços e em 2016, tornou-se adquirente no país por meio de parceria com o banco BS2, o que a transformou em uma plataforma ponta-a-ponta (processamento, antifraude e adquirência). "Mais da metade de todas as transações que processamos no mundo vem de dispositivos móveis. A tendência clara é o crescimento das wallets (carteiras digitais) que são instrumentos de pagamentos que tornam seguro esse processo", afirma o vice-presidente sênior da Adyen para a América Latina, Jean Christian Mies.
Fonte: Valor




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