Com Júnior, Qualicorp estuda ter um plano de saúde
03/10/2018
O fundador e presidente da Qualicorp, José Seripieri Filho, pretendia deixar a companhia para criar uma operadora de planos de saúde, a Gama. Atualmente, a Gama pertence à Qualicorp, porém, atua apenas como uma rede com clínicas médicas, laboratórios e hospitais (36 mil pontos de atendimento) que presta serviços para outras operadoras, uma vez que a legislação não permite que um mesmo grupo trabalhe como administrador de benefícios e operadora de convênio médico simultaneamente, segundo o Valor apurou.

Agora, com assinatura do contrato de R$ 150 milhões determinando a permanência do fundador na companhia pelos próximos seis anos, esse projeto deve ser incorporado à Qualicorp, mas com algumas adaptações por conta da legislação. Há outros três ou quatro projetos que podem ser implementados em cerca de seis meses, ainda de acordo com fontes.

Em relação à Gama, a ideia de Júnior, como é conhecido o fundador da Qualicorp, é criar um plano de saúde com atendimento personalizado, em que o paciente tenha um convênio médico de acordo com suas demandas, com ferramentas que incentivem o cuidado com a saúde e não apenas o tratamento da doença. É um modelo diferente do atual, em que o usuário tem à disposição uma ampla rede de médicos e hospitais, o que eleva o custo, sem que seja feito um controle do atendimento, nem tampouco uma atenção primária.

 
Júnior tentou montar esse formato, considerado disruptivo no setor de saúde, na parceria que acaba de fechar com a seguradora Mafre, mas o projeto não contempla metodologias tão modernas. Por isso, seu objetivo era sair da Qualicorp e criar uma startup, cujos processos decisórios são mais rápidos, e tirar a Gama da Qualicorp. Esse ponto especificamente teria causado grande incômodo, porque a companhia enxergou um concorrente para o seu negócio de corretagem de planos de saúde. Havia um risco dessa nova operadora angariar diretamente as empresas contratantes dos planos devido à ampla rede de relacionamentos de Júnior. Além disso, o fundador da Qualicorp é conhecido por entender profundamente o setor de saúde e poderia rapidamente fazer essa nova empresa crescer. O mercado de planos de saúde coletivos por adesão foi criado por Júnior há cerca de 20 anos, quando ele ainda era um mero corretor de convênios médicos.
Ontem, as ações da Qualicorp fecharam em alta de 10,91% cotadas a R$ 12,90. O Ibovespa encerrou o dia com valorização de 3,8%. A valorização da administradora de benefícios ocorre um dia após os papéis terem caído quase 30%, impondo uma perda de R$ 1,4 bilhão em valor de mercado à companhia. Na segunda-feira, a Qualicorp amanheceu valendo R$ 4,7 bilhões e fechou o dia cotada em R$ 3,3 bilhões. Ontem, fechou o pregão valendo R$ 3,7 bilhões.

Os bancos Bradesco BBI e BTG reduziram a recomendação do papel de compra para neutro (manutenção). O Bradesco BBI também baixou o preço-alvo da ação da Qualicorp de R$ 25 para R$ 16. Itaú BBA e Safra, por sua vez, mantiveram suas recomendações de compra do papel. O ponto em comum entre as casas de análise foi o questionamento em torno da governança. Ontem, no fim do dia, a Qualicorp emitiu comunicado informando entender que o valor indenizatório pago a Júnior é adequado, "dentro de parâmetros de mercado e representa importante contribuição de valor para a companhia, na medida em que não havia até então mecanismo de proteção dessa natureza".
 
Fonte: Valor




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