Aumenta o número de casos de câncer entre os jovens
01/11/2018

Nos últimos anos, o Centro de Terapia Oncológica (CTO) tem, em média, 1.000 novos casos de pacientes com algum tipo de câncer, sendo mama e próstata os mais incidentes. Em agosto, o CTO tratou o total de 802 pacientes de todos os diagnósticos de câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sendo 407 casos de câncer de mama, totalizando 50,7% das ocorrências. O alerta dos médicos está voltado para os mais jovens: dos novos casos, 11 são de pacientes com idade inferior a 30 anos.

O aumento no número de casos em jovens tem causado receios. O oncologista do CTO, Júlio Vieira de Melo (foto), observou o aumento da incidência de câncer em adultos-jovens, uma faixa etária que antes era de 50 anos, mas vem caindo. Hoje, não é incomum o aparecimento de tumores em pessoas que têm menos de 30 anos. Entre este público, a doença tende a ser mais agressiva.

– Na verdade, para todos os tipos de câncer temos dois fatores que são atribuídos ao seu aparecimento: uma é a genética ou fator hereditário e a outra é o fator exposição. Normalmente, o paciente mais jovem não tem um fator de exposição tão grande, e o tumor acaba tendo com maiores mutações ou alterações genéticas, e isso faz com que tenham uma característica mais agressiva. Talvez relacionado a essa parte do maior número de mutações genéticas. Não se tem o entendimento da biologia tumoral do motivo, mas é simplesmente um fato que acontece e reportamos – afirmou.

Para o especialista, a exposição a fatores de risco e mutações genéticas são alguns dos motivos que contribuem para o aumento do número de casos em pessoas abaixo dos 30 anos.

– Atribuímos esse aumento a fatores hipotéticos, mas o aumento nos fatores de risco pode ter essa relação, mesmo não sendo predominantemente responsáveis pelo aparecimento de câncer em jovem. Ficamos expostos a muito mais fatores que são capazes de provocar ou estimular o aparecimento de câncer em um organismo. Hoje em dia, não sabemos muito bem a origem da água e de muitos alimentos, ou de como estão sendo cuidados, e talvez isso possa ter relação também. Outra coisa é relacionada as mutações: quanto maiores as alterações genéticas da humanidade e as gerações se passam, maior o risco dessas alterações comutativas que podem se expressar como risco aumentado de câncer – relatou.

Os tumores considerados mais agressivos podem apresentar maior risco de metástase e ainda, serem descobertos em estágio avançado. Ao mesmo tempo, tendem a apresentar maior taxa de cura. Os jovens devem fazer exames regulares, principalmente se há casos de câncer na família e mais importante ainda, se o caso tiver acontecido com um parente de primeiro grau antes dos 40 anos. Em contrapartida, é possível detectar a doença em estágio mais inicial em jovens pela atual capacidade diagnóstica.

O médico alerta para os fatores de risco como o tabagismo e recomenda atividades físicas como uma das formas de evitar a doença.

– Os fatores de risco depende da doença, cada uma tem os seus fatores de risco, mas alguns como tabagismo, sedentarismo, alcoolismo estão presentes em vários tumores, mas se pegarmos por exemplo o câncer de pulmão, temos que focar mais na parte do tabagismo, se pegarmos de colo, vamos falar mais sobre hábitos alimentares. Devemos combater também a obesidade e o sedentarismo.

O tratamento do câncer é feito por meio de uma ou varias modalidades combinadas. O médico escolhe o tratamento mais adequado segundo a localização, tipo de câncer e extensão da doença.

Câncer de mama é o segundo tipo que mais acomete mulheres

Independente de idade, segundo o Ministério da Saúde, o câncer de mama é o tipo mais comum que acomete entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do câncer de pele não melanoma. Para o ano de 2018, foram estimados 59.700 novos casos no país, correspondendo a 28% dos novos registros a cada ano. De acordo com o CTO, ano passado em Petrópolis houve 135 casos de câncer de mama em mulheres. Este ano pelo SUS, foram registrados 87 novas ocorrências.

O principal sintoma do câncer de mama é o nódulo na mama, mas segundo os oncologistas, existem outros sintomas que a população deve ficar atenta, a pele pode ficar infiltrada, ou seja, com aspecto de uma casca de laranja. Tem a inversão do mamilo, saída de secreção pelo mamilo, dores e o surgimento de nódulos endurecidos na axila.

A costureira Jaqueline Gorges, 41 anos, descobriu o câncer de mama em 2014, depois de seis sessões de quimioterapia e 30 de radioterapia hoje ela curada.

– Descobri o câncer de mama em 2014 e ainda estava bem no início, o primeiro impacto que tive foi pensar que ia morrer isso durou uma semana.Logo depois me veio o outro pensamento que precisava me tratar e se livrar de algo que não me pertencia. Há quatro anos venho na luta contra essa doença que infelizmente atinge toda família lutamos juntos porque sozinha não sei se conseguiria – afirmou.

Mãe de três filhos e avó de um casal netos, Jaqueline já foi uma das modelo escolhidas para participar do calendário que é promovido pelo APPO.

– Nunca fui modelo, foi através do contato da APPO, quis muito participar e fui animada pela equipe, é uma experiência que vou levar para o resto da vida – contou.

Fonte: Anahp




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