Cursos incluem disciplinas que vão além da prática médica
10/12/2018

Estudar medicina é caro. A maioria, ou 65%, dos cursos autorizados no Brasil pertencem a escolas privadas, com mensalidades que podem alcançar mais de R$ 10 mil. Novos programas investem em disciplinas fora da prática médica, como gestão e liderança, e usam baterias de entrevistas para selecionar alunos.

Mauro Ribeiro, presidente em exercício do Conselho Federal de Medicina (CFM), afirma que até o final de outubro de 2018, o Brasil acumulava 326 escolas médicas, em 206 municípios. Para ele, a alta oferta não representa uma vantagem na formação.

“Ao avaliar essas escolas, o CFM identificou 151 cidades, com escolas na área, que não dispõem de leitos do SUS suficientes para um ensino adequado”, diz. “Por isso, o fim da abertura desenfreada de cursos em condições precárias é uma reivindicação permanente das entidades médicas.”

De olho nesse problema, escolas bem equipadas e vinculadas a centros médicos reconhecidos apareceram nos últimos anos. A Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, ligada ao hospital paulista de mesmo nome, passou a oferecer o curso de medicina em 2016. Tem 300 alunos e a primeira turma de formandos sai no final de 2021, diz Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. A mensalidade custa R$ 7,5 mil.

Um dos diferenciais do programa são disciplinas de medicina da família e da comunidade em 12 semestres, além de aulas de gestão e liderança em três ciclos. Klajner diz que o Einstein desenvolveu um método de seleção que avalia as competências pessoais do aluno que deseja ingressar na carreira. É composto de entrevistas que colocam os estudantes diante de situações práticas e analisam aspectos como ética, liderança e capacidade de trabalho em equipe. “O desempenho influi em 25% na nota do teste de conhecimento”, diz.

O curso de medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas (SP), considerado um dos mais caros do Brasil, ganhou novas exigências curriculares a partir de 2015, como a obrigatoriedade do inglês por três anos, diz o coordenador Guilherme de Menezes Succi. Fundado há cinco anos, o curso terá a primeira turma diplomada este ano, com 87 alunos. O número de vagas anuais subiu de 100, em 2013, para 200, a partir de 2016. A mensalidade válida para 2019 é de R$ 12,7 mil.

“Temos atividades práticas na rede de saúde do primeiro ao último semestre”, diz. Entre as especialidades que mais atraem os alunos estão saúde mental, ginecologia e obstetrícia. “Medicina da família e gestão em saúde estarão em alta, nos próximos anos, por conta das necessidades do mercado.”

Fonte: Valor




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