É fundamental que a mudança seja gradual
03/05/2019

Entrevista

Para Rodrigo Aguiar, diretor da ANS, o modelo atual, de remuneração por serviço, pode não ser o mais vantajoso. Ele defende mudanças graduais.

Por que a ANS lançou uma cartilha de modelos de remuneração de fornecedores pelas operadoras?

A proposta é induzir o mercado de planos de saúde a adotar modelos inovadores de remuneração, que vinculem o pagamento dos serviços prestados à qualidade do cuidado e ao valor agregado à saúde dos beneficiários. O modelo fee for service (remuneração por serviço) pode levar à competição por clientes e à realização de procedimentos nem sempre necessários, sem avaliação dos resultados em saúde.

Há relação entre modelo de pagamento e assistência?

A mudança do modelo de remuneração contribui para a sustentabilidade do setor. Mas a discussão sobre a implementação de modelos alternativos de pagamento de prestadores e do cuidado em saúde está associada à busca pelo aumento da qualidade assistencial.

A compra de hospitais próprios pelas operadoras dá mais força às empresas para mudar o modelo de pagamento?

A opção pela verticalização ou não da rede depende do modelo de negócio e da modalidade da operadora, do nível de concorrência nas regiões onde atua e do grau de dispersão geográfica dos beneficiários. A mudança do modelo de pagamento independe das estratégias de estruturação da rede de prestadores de serviços de saúde (hospitais, clínicas e laboratórios). É fundamental que o novo modelo seja implementado de forma gradual, permitindo a adaptação do prestador, e que esteja prevista redução de riscos financeiros para os prestadores na fase inicial.

Autor: Luciana Casemiro Referência: O Globo

Fonte: O Globo




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