Novo modelo de inovação dá impulso sem precedentes à pesquisa sobre o câncer
07/05/2019

Conceito de Convergência reúne conhecimentos da ciência da vida com computação, física e engenharia para produzir uma revolução no campo da oncologia, com novos tratamentos e tecnologias de diagnóstico

Desenvolver novos tratamentos e diagnósticos do câncer é um desafio complexo, mas as pesquisas em oncologia estão avançando em ritmo sem precedentes, graças a um novo modelo de inovação que reúne o conhecimento de campos de estudos diferentes. Conhecido como Convergência, o novo conceito integra a medicina, a biologia, a química, a engenharia e a computação, de acordo com o médico Luiz Juliano Neto, assessor de Relações Institucionais do A.C.Camargo Cancer Center e professor titular aposentado da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ele explica que o câncer não é uma única doença, mas um complexo de problemas ligados ao crescimento celular, que se manifesta de maneiras diferentes em cada paciente. “Sem a convergência de diversos campos do conhecimento, não há alternativa para novas terapias e tecnologias de diagnóstico”, completa.

Segundo o especialista, a Convergência corresponde à terceira grande revolução nas ciências da vida. A primeira ocorreu na década de 1950, quando foi descoberta a estrutura tridimensional do DNA. “Com aquele avanço, conseguimos entender a genética da hereditariedade do câncer”, afirma. A segunda revolução veio no fim na década de 1990: o sequenciamento do genoma humano. “Mas a sequência do DNA diz pouco sobre a função de cada gene nos processos químicos envolvidos com o câncer. Para compreender as funcionalidades era preciso processar enormes volumes de dados obtidos pelo sequenciamento genético. Assim nasceu a Convergência”, explica.

Usando conhecimentos de física, química, computação e engenharias, é possível fazer simulações e modelagens que possibilitam compreender os milhões de circuitos de reações em cadeia que são utilizados pelas células, envolvendo enormes quantidades de estruturas químicas. “Esse modelo já está produzindo moléculas inibitórias dirigidas a alvos do tumor, imunoterápicos e tecnologias diagnósticas avançadas”, afirma.





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