Cientistas aplicam conhecimento de diversas áreas para revolucionar pesquisa sobre câncer
27/05/2019

Novo conceito de inovação na oncologia, a convergência alia ciências como a computação, a química e a física para produzir avanços que melhoram na prática o tratamento dos pacientes

Sem a inteligência artificial e a bioinformática, cientistas de São Paulo não conseguiriam utilizar a tecnologia para identificar quais pacientes se beneficiam mais de uma nova terapia de câncer. A química e a engenharia foram indispensáveis para que uma pesquisadora brasileira criasse um dispositivo capaz de identificar tecidos tumorais em questão de segundos. Cientistas também usam o conhecimento da biologia, da genômica e da bioinformática para entender como os microrganismos do corpo humano podem ser usados para aprimorar tratamentos oncológicos – e da física, para transformar uma tecnologia de diagnósticos em terapia para o câncer de próstata.

Todos esses estudos são exemplos concretos do conceito de convergência, um novo modelo de inovação que tem permitido uma revolução nos estudos sobre o câncer, com a contribuição de diferentes áreas da ciência, e que foi o tema central do evento Next Frontiers to Cure Cancer, realizado na capital paulista, entre 16 e 18 de maio, pelo A.C.Camargo Cancer Center.

Em São Paulo, cientistas do Grupo de Pesquisa em Imunoterapia do A.C. Camargo utilizam a inteligência artificial e uma máquina de última geração para aumentar a abrangência e a eficiência da imunoterapia – um tipo de tratamento que utiliza o próprio sistema imunológico dos pacientes para destruir os tumores. Trata-se da citometria de fluxo de alta performance. Essa tecnologia permite que os pesquisadores identifiquem, entre milhões de células dos pacientes, os padrões relacionados à melhor resposta às drogas imunoterápicas, o que personaliza o tratamento.
“A imunoterapia é promissora, eficiente e tem menos efeitos colaterais, mas pode não funcionar para alguns pacientes”, diz o imunologista Kenneth Gollob. “Com a citometria de fluxo, conseguimos encontrar novos marcadores relacionados à boa resposta imunológica e direcionar o tratamento a quem terá benefício.”

A partir de uma amostra pequena de sangue ou do tumor, coletada dos pacientes do A.C.Camargo, o equipamento avalia 30 parâmetros simultaneamente em até 5 mil células por segundo. “Isso gera uma quantidade gigantesca de dados, que só tem resultados tangíveis graças à bioinformática”, afirmou.

A informação da citometria de fluxo é analisada por um algoritmo, que encontra padrões relacionados à resposta imunológica, revelando os mecanismos que levam uma droga a ser eficiente para um paciente. Graças à inteligência artificial e ao aprendizado de máquina, quanto mais amostras são analisadas, mais robustos são os resultados.
A evolução da imunoterapia já aconteceu com outra terapia disruptiva, a manipulação das células do sistema imune para que elas possam reconhecer e eliminar as células tumorais com maior eficiência. Esta abordagem é denominada células Car-T.





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