EMS é favorita para levar divisão da Takeda na AL
19/07/2019
A EMS, maior farmacêutica brasileira, está na fase final da disputa pela divisão de medicamentos isentos de prescrição (OTC, na sigla em inglês) da Takeda na América Latina e é a favorita para ficar com os ativos, apurou o Valor junto a fontes da indústria farmacêutica.

Segundo fonte próxima às conversas, o laboratório brasileiro entende que o portfólio da concorrente tem total sinergia com sua estratégia de ampliar a atuação no mercado brasileiro e fora do país, e segue competitivo no processo. Mas a EMS não está sozinha na disputa. Segundo a agência Reuters, a Reckitt Benckiser e a uruguaia Megalabs também foram selecionadas para apresentar ofertas vinculantes pelo negócio de OTC.

No início de abril, o Valor informou que a farmacêutica japonesa havia colocado à venda sua divisão de OTC na América Latina, com a meta de levantar US$ 1 bilhão com o negócio. A EMS, que pertence ao grupo NC, já era apontada como forte candidata a ficar com os ativos, que incluem o analgésico Neosaldina e o fitoterápico Eparema.

No Brasil, essa divisão de produtos chegou a ser oferecida para outros laboratórios, incluindo Eurofarma e Biolab, que teriam interesse somente nas operações de OTC fora do Brasil e declinaram de apresentar uma oferta inicialmente. Já a EMS demonstrou interesse, segundo uma fonte, porque planeja investir para expandir e consolidar sua presença no mercado de medicamentos isentos de prescrição também no mercado internacional.
Procuradas, EMS e Takeda informaram que não comentam rumores de mercado.

A EMS tem investido pesado em expansão. Nos últimos cinco anos, destinou mais de R$ 800 milhões para suas fábricas, em Manaus (AM), Hortolândia (SP), Jaguariúna (SP) e Brasília (DF), que juntas podem produzir 1 bilhão de unidades (caixas) de medicamento por ano. Em 2019, a produção deve alcançar 800 milhões de unidades. Além disso, reforçou a aposta em prescrição médica e separou R$ 500 milhões para os seis lançamentos nessa área programados para esse ano, para ampliação da força de vendas e promoção do portfólio.

No mercado internacional, a EMS venceu uma licitação pelo laboratório estatal sérvio Galenika e manteve-se atenta a novas oportunidades, incluindo a Medis, unidade de genéricos da israelense Teva com sede na Islândia. A Takeda tem presença em outros países latino-americanos e, no México, os medicamentos isentos de prescrição responderiam por cerca de 30% de seus negócios.

Nesta semana, o nome da EMS foi associado a outro potencial negócio. Desta vez, a farmacêutica foi apontada como possível interessada na compra do grupo Biotoscana, que tem sede no Uruguai e negocia BDRs na bolsa brasileira. Contudo, segundo fontes ouvidas pelo Valor, não houve aproximação neste sentido entre a farmacêutica e a Advent, que controla a Biostoscana. Além disso, a gestora de fundos de private equity não está disposta a se desfazer de suas ações neste momento.

Os recibos de ações da Biotoscana saíram a R$ 26,50 na oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) em julho de 2017. Mas, diante de uma série de reveses em licenças de medicamentos e, mais recentemente, da crise na Argentina, hoje são negociados na casa dos R$ 10. Ontem, os BDRs da empresa subiram 4,15% e fecharam o dia em R$ 10,53 cada. Um dia antes, na esteira do noticiário, ganharam 10,6%, para R$ 10,11, com volume expressivo de negócios.
 
Fonte: Valor




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