Lean Healthcare, transformação digital ágil na prática
23/07/2019

O conceito de Lean é proveniente da indústria de automóveis do Japão, mais especificamente da gigante Toyota, por isso o termo popular em algumas empresas “Toyotar o sistema de saúde brasileiro”. Após passar por um período de gastos nos anos de 1950, as fábricas do setor se deram conta de que era preciso encontrar uma forma de reduzir despesas, considerando-se os altos custos provenientes da Segunda Guerra Mundial.

Com o objetivo da industria japonesa equiparar-se com as indústrias dos Estados Unidos, os japoneses optaram por investir nos seus processos de produção para alcançar a excelência. Diante do cenário e após muita pesquisa, foi criado na Toyota o que se denominou de filosofia Lean, que pode ser explicada como um sistema de gestão que elimina desperdícios em busca do aumento da produtividade e eficiência.

A filosofia Lean foi alicerçada e subsidiada por alguns princípios importantes:

  • O conceito de valor é definido a partir da ótica do cliente. No sistema de saúde, isso é observado no contato direto com o paciente, como no atendimento e em consultas e exames;
  • Fluxo de valor para cada processo, eliminando os desperdícios. Nesse caso, os desperdícios são definidos como tudo aquilo que não agrega valor, como atrasos, filas de espera, liberação de exames, etc;
  • Fluxo contínuo, em um cenário ideal, os pacientes só devem parar sua movimentação dentro do sistema para atividades que agreguem valor, diretamente relacionadas ao seu atendimento;
  • Melhoria contínua, o gerenciamento do sistema deve ter sempre como objetivo final a busca por aperfeiçoamento.

Por adotar essa filosofia, as organizações japonesas se tornaram líderes nos seus setores de atuação, estando passos à frente da concorrência na maximização da produtividade. Com seu sucesso, a cultura Lean foi introduzida em uma série de empresas de diversas áreas, inclusive na área de saúde.

Dessa forma, no início dos anos 2000, mais precisamente em 2002, surgiu o Lean Healthcare. Essa adaptação da filosofia Lean teve como meta a aplicação das ferramentas e conceitos em setores de saúde, como hospitais, clínicas, laboratórios e centros cirúrgicos. Inclusive nas áreas mais burocráticas de administração e processos, além das áreas diretamente ligadas ao atendimento de saúde, o Lean Healthcare também é aplicável a terceiros, como estoque, laboratórios e a rotina dos próprios funcionários desses estabelecimentos.

O aculturamento do mindset Lean Healthcare nas empresas do ecossistema de saúde leva como principal conceito o entendimento dos serviços de saúde como um produto, assim como é possível observar em outras indústrias e empresas. Dessa forma, é mais fácil entender o processo da oferta dos serviços de saúde pela ótica de um fluxo produtivo, objetivando a redução dos desperdícios e dos custos de operação.

Uma forma de enxergar esse fluxo de maneira mais clara é pensar em uma empresa de saúde de maneira análoga a uma fábrica automotiva. Assim como cada uma das peças, os pacientes passam por uma série de etapas, que podem ser a entrada dos planos de saúde, a triagem, a consulta com o médico, a internação e tratamento e, por fim, a alta.

Analisando essas etapas, é possível elencar uma série de desperdícios, assim como ocorre em qualquer indústria. Problemas de logística, processamento de peças defeituosas, atrasos na entrega, todos esses são problemas relativos a indústrias automobilísticas, por exemplo. Já em um hospital, esses problemas podem se manifestar de maneira análoga, levando em consideração algumas especificidades:

  • Superprodução: monitoramento de pacientes categorizados com pouca urgência ou erros de catalogação de medicamentos;
  • Estoque: excesso nos estoques de medicamentos com risco de vencimento e alocação de equipes sem necessidade de demanda;
  • Defeitos: erros em exames ou aplicação de medicamentos ou falhas no encaminhamento de pacientes;
  • Processamento inapropriado: exames desnecessários, testes falhos ou erros no processamento de doses de medicamentos;
  • Transporte e movimentação excessivos: erros no planejamento da estrutura do hospital, resultando em um grande percurso pelos pacientes e funcionários entre os departamentos;
  • Esperas: demora no atendimento, filas nos consultórios e atrasos em entregas de exames e resultados.

A partir da aplicação dos conceitos Lean na área de saúde, o Lean Healthcare busca a otimização do atendimento a pacientes, identificando e eliminando os desperdícios e aumentando a produtividade de cada setor.

A aplicação dos conceitos de Lean Healthcare na área de saúde deve sempre ter como meta a redução de desperdícios. Como explicitado no item anterior, esses desperdícios estão intimamente ligados a problemas de estrutura, planejamento, execução e burocracia dos diversos setores dos hospitais e outras instituições de saúde.

Definir metas é uma necessidade crucial para qualquer empresa ou organização. Essa definição é feita a partir da análise do ambiente de trabalho e seus processos. Agilizar o atendimento em uma clínica, por exemplo, é uma melhoria que precisa ser medida e comparada com certos objetivos. Assim, se faz necessária a determinação de objetivos de curto, médio e longo prazo, para que seja possível comparar e calcular a evolução.

Eliminar desperdícios significa também eliminar perdas desnecessárias de tempo dos funcionários e gestores. Nesse sentido, os sistemas de automação de tarefas vêm ganhando cada vez mais espaço em instituições de saúde como hospitais e laboratórios. Seu uso libera muitos profissionais, que podem então dedicar-se a atividades de maior necessidade.

Esses sistemas podem alcançar uma série de atividades, como prontuário eletrônico, armazenamento de exames de imagem em serviços de nuvem, monitoramento de pacientes em sistemas digitais, entre outros.

Assim como em qualquer organização, o controle dos processos é um ponto crucial na eliminação de desperdícios e aumento da produtividade. Para os estabelecimentos de saúde, a utilização de sistemas de informação integrada garante que tanto médicos quanto outros membros da equipe realizem seu trabalho de maneira fluida e contínua.

Controlar e ter ciência do andamento de cada paciente dentro do sistema ajuda a reduzir erros e a diminuir o tempo de atendimento, exames e alta. Ao conhecer o fluxo da jornada do paciente dentro da instituição, é possível identificar com maior facilidade as áreas de gargalo que precisam de correção.

Dessa maneira, com a notificação dos erros de maneira automatizada, é possível identificar com maior facilidade as áreas que precisam de maior atenção, além de possibilitar a correção e reparo das adversidades de maneira imediata. Isso sem contar que, em uma equipe segura, que possa notificar adversidades, há um ambiente propício para o crescimento e aprendizagem profissional para todas as partes.

Sobre o autor

Fernando Paiva é VP of Costumer Success & Digital Sales Transformation da Carenet.





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