Dataprev e Serpro têm potencial para atrair compradores
23/08/2019
A venda ou reorganização das duas maiores estatais de tecnologia do país, Serpro e Dataprev, não é um assunto novo. Mas as duas empresas, que integram o programa de privatização anunciado nesta semana pelo governo federal, têm potencial de atrair o interesse do setor privado.

Empresas de serviços de tecnologia e, eventualmente, fundos de investimento, são prováveis candidatos a compradores, na opinião de executivos ouvidos pelo Valor.

Além dos contratos com governos federal e estaduais, pode haver interesse na exploração de algumas das bases de dados administradas pelas duas companhias - da previdência, no caso da Dataprev, e das carteiras de motorista no Serpro.

Para um especialista que preferiu não ter seu nome revelado, a entrada em vigor da Lei de Proteção Dados Pessoais (LGPD) em agosto do ano que vem vai trazer mais segurança para criar modelos de negócios que explorem esse tipo de atividade. "Há uma legislação que diz como pode ser feito, dá garantias que hoje não se tem, com regras específicas que protegem tanto quem está na operação quanto o titular dos dados", disse.

Nos últimos anos, as duas empresas passaram por um processo de "arrumação da casa", com redução de custos operacionais e criação de novas linhas de receita. Em 2018 a Dataprev registrou alta de 3% na receita líquida, totalizando R$ 1,26 bilhão. O lucro líquido subiu 10%, para R$ 150,6 milhões. A companhia tem mais de 3,5 mil funcionários.
Já o Serpro, que emprega mais de nove mil pessoas, teve R$ 2,71 bilhões em vendas no ano passado, um avanço de 14% em relação a 2017. O lucro saltou 273%, para R$ 459,7 milhões.

Na avaliação de Jorge Sukarie, presidente da Brasoftware, empresa que trabalha principalmente com a venda de produtos da Microsoft, a privatização das companhias faz sentido. "O governo precisa ser um indutor da economia, não ter uma estrutura que compete com a iniciativa privada", disse. Para ele, as duas companhias desenvolvem alguns bons produtos, mas a questão é o custo disso. "Como cidadão eu prefiro muito mais que o governo invista em educação e saúde", disse.

Nos planos do governos também está a venda da Ceitec, uma fabricante de chips criada em 2008 que nunca conseguiu avançar. Registrou receita de R$ 4,8 milhões em 2018 (crescimento de 5% em relação a 2017), com prejuízo de R$ 7,6 milhões (redução de 68% em um ano).

A tentativa mais recente de reorganizar as estatais de tecnologia ocorreu entre 2015 e 2016. O então Ministério da Fazenda estudou a fusão de Serpro e Dataprev como parte das medidas de ajuste fiscal e contenção de gastos do governo.

Um dos cenários avaliados incluía uma integração das duas com a Telebrás. Mas as discussões foram abandonadas frente aos desafios práticos de se formatar a operação - envolvendo questões societárias, trabalhistas e tecnológicas - e da deterioração do cenário político do país.

Procurada, a assessoria de imprensa do Serpro informou ontem que as informações sobre o processo de privatização são de responsabilidade do Ministério da Economia. A Dataprev declarou que pretende colaborar com a decisão do governo federal e que vai fornecer as informações necessárias para que estudos técnicos possam ser feitos.
 
 
Fonte: Valor




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