As estratégias da Central Nacional Unimed para a Saúde Suplementar
16/09/2019

Fusões, aquisições, verticalização, aposta em novos serviços, adoção de tecnologias disruptivas. Diante de um cenário competitivo na Saúde Suplementar associado a uma queda no número de beneficiários dos planos de saúde nos últimos anos criou-se a necessidade de redefinição dos papéis dos atores deste mercado. Não à toa o tema será levado ao palco de CEOs no próximo Healthcare Innovation Show esta semana.

Conversamos com Fernando Torelly, atualmente Assessor da Presidência da Central Nacional Unimed (CNU), sobre as estratégias da marca para continuidade dos negócios. Economista que já esteve à frente da direção executiva do Hospital Sírio-Libanês e da superintendência do Hospital Moinhos de Vento, Torelly contextualiza as mudanças que ocorreram no Brasil nas últimas décadas “de 1964 até hoje o Brasil aumentou em 24 anos a expectativa de vida da população. Isso é 3x mais o que os EUA fizeram no mesmo período. E nós mudamos o perfil da saúde de doenças agudas e transmissíveis para doenças crônicas”, diz.

Ele explica que o grande projeto estratégico da CNU é justamente modificar o modelo de cuidado baseado no atendimento ao paciente agudo para um modelo voltado à promoção, prevenção e coordenação do cuidado. A reestruturação focará na atenção primária e gestão populacional objetivando que as pessoas permaneçam mais tempo com saúde. A precificação do serviço precisará ser alterada. Mas a aposta é que com o sistema coordenado o custo será menor do que hoje.

“O sistema precisa de sustentabilidade e qualidade, o que não necessariamente significa gastar muito mais. Significa direcionar o incentivo ?para o lado correto”, afirma Fernando. Para isso é preciso alterar os modelos de remuneração que hoje incentivam o uso, para os que valorizem mais a qualidade, a promoção da saúde e o uso adequado. Outro desafio a ser enfrentado é a ideia amplamente difundida de que o melhor plano de saúde é aquele que dá o acesso a uma rede mais aberta e maior, não aquele com uma rede de cuidado coordenado. “Vamos ter que trabalhar a percepção do que é valor para a sociedade e o relacionamento com toda rede prestadora”, diz Torelly.

A principal política pública do Ministério da Saúde do Brasil é voltada para que cada cidadão tenha seu médico de referência na atenção primária, a Estratégia Saúde da Família. Países como Inglaterra, Holanda, França também trabalham com esses modelos. As unidades de atenção primária resolvem até 85% dos casos. Ela é mais resolutiva, faz menos exames desnecessários e expõe o paciente a um menor risco. Fernando acredita que nos próximos anos as cidades terão várias unidades de atenção primária da Saúde Suplementar.

“É uma mudança de conceito e a vantagem é que estamos sendo estimulados a fazer esta mudança porque está caro [o modelo atual]!”, e complementa “Se tá caro, tanto a operadora do plano de saúde, quanto o médico, quanto o hospital estão preocupados com isso. E o que tem de novo é que em vez de ficarem brigando um com o outro, existem experiências integrando os três e criando alternativas”.

Nesse modelo de cuidado coordenado a informação se tornam mais do que nunca essencial para as redes. O compartilhamento de informações e sua integração em um repositório único se tornará um diferencial competitivo para os prestadores, segundo Fernando.

“Se conseguirmos efetivamente fazer uma transformação no modelo de cuidado, nós certamente colocaremos na saúde suplementar mais alguns milhões de brasileiros e ainda conseguiremos eliminar os desperdícios tendo preços competitivos”, fiz Torelly e finaliza “Vai vencer, crescer mais, aqueles que tiverem a habilidade de entender que tem que estar integrado em um novo produto, em um novo conceito”.





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