Custos disparam e empresas assumem gastos com saúde
17/09/2019

Para enfrentar o aumento desenfreado da conta dos planos de saúde, as empresas que concedem o benefício aos seus funcionários trocaram de operadora, reduziram a rede credenciada ou aumentaram a coparticipação. Foram medidas paliativas e não resolveram o problema, que deve se agravar neste ano com reajuste médio previsto de 17%. Diante desse cenário, mesmo sem desistir dos planos, empresas como Ambev, Hospital Oswaldo Cruz, GE, McDonald’s, Pirelli e Santander passaram a gerenciar diretamente a saúde de funcionários e dependentes. Conseguiram reduzir muito o custo do convênio e, em alguns casos, hoje gastam menos do que há cinco anos.

A Ambev, que em 2014 gastava R$ 350 milhões com o convênio dos funcionários, hoje despende R$ 260 milhões. Nesse valor, estão a conta do convênio e de outras ações adotadas para melhorar a saúde dos empregados. “Se continuássemos na curva de crescimento de gastos que tinhamos em 2014, seríamos obrigados a vender patrimônio em 2022 para arcar com o plano de saúde”, disse Edson Carlos De Marchi, diretor da Fundação Zerrenner, acionista da Ambev e que paga o convênio médico de 75 mil funcionários e dependentes da cervejaria.

Essas companhias têm em comum algumas práticas: investem em atendimento primário, têm ambulatórios próprios, fazem gestão de dados da saúde dos funcionários, criam convênios médicos com uma rede credenciada modelada conforme as necessidades dos empregados e arcam com procedimentos médicos de alto custo não cobertos pelos planos.

O uso de inteligência de dados foi adotado pelo McDonald’s, que gastava R$ 11 milhões com partos e UTI Neonatal. O custo com internações de grávidas caiu para R$ 3 milhões depois da identificação de que os maiores gastos ocorriam com gestantes que faziam menos de quatro consultas pré-natal.

O Santander, com 100 mil usuários, reduziu seus gastos promovendo alimentação saudável, incentivo ao esporte, vacinação gratuita e a criação de uma unidade hospitalar dentro da sede. A Pirelli também adotou ações para manter a saúde dos funcionários em vez de tratar a doença. E o custo do plano de saúde caiu 8% neste ano.

 

Fonte: Valor




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