No comando da Amil, um conciliador
19/09/2019
Torcedor do Flamengo, pediatra, 60 anos. José Carlos Magalhães, o novo presidente do UnitedHealth Group Brasil, dono da Amil, vai concentrar seus esforços para melhorar o relacionamento com os funcionários e prestadores de serviços, deteriorado nos últimos meses. A operadora de planos de saúde pressionou fortemente os hospitais, este ano, para que aceitassem tabelas de preços com descontos médios de 30%, gerando uma insatisfação generalizada. O clima organizacional na área corporativa também não era dos melhores e vários executivos do alto escalão pediram demissão ou foram demitidos.
 
“Acredito que o meu melhor é a capacidade de integrar equipes, pessoas, operações. Talvez, em algum momento, outras áreas da companhia tenham se desenvolvido mais em detrimento do ‘touch’, da proximidade”, disse Magalhães, em entrevista ao Valor, em seu quarto dia no comando do UnitedHealth Group Brasil. Magalhães substitui Claudio Lottenberg que, por sua vez, passa a ser o chairman da companhia - cargo que acaba de ser criado. O contrato de Lottenberg com o grupo vence em 2021.
 
Após seis anos liderando as unidades de Portugal e Chile, Magalhães retorna ao Brasil com a missão de comandar o maior grupo brasileiro de saúde, que obteve receita de R$ 21 bilhões no ano passado, mas registrou lucro de apenas R$ 8 milhões. No mundo, a UnitedHealthcare é uma companhia com receita líquida de US$ 285 bilhões.
 
A companhia passa por uma reestruturação no mercado brasileiro, que envolveu o rompimento parcial de relações com o maior grupo hospitalar do país, a Rede D’Or. Na metade do ano, 17 hospitais do grupo foram descredenciados de forma parcial ou total por divergências comerciais. O cancelamento provocou a perda de cerca de 250mil usuários para a Amil.
A reorganização também envolveu o corte de 30% do orçamento e a demissão de mais de 300 pessoas da área corporativa. A Optum, negócio de tecnologia com foco em saúde, deixará de ser uma empresa do grupo que atende ao mercado para prestar, principalmente, serviços internos. Segundo Magalhães, não está descartada a possibilidade de a Optum vir no futuro a atender outras operadoras de saúde, como era a ideia inicial. Nos Estados Unidos, a Optum tem receita de mais de US$ 100 bilhões prestando serviços para concorrentes da UniteHealth, mas no Brasil esse modelo não vingou.
 
Em sua gestão, Magalhães diz que uma de suas prioridades será o modelo de hospital-dia, voltado a procedimentos de média e baixa complexidades que não demandam internação de um dia para outro. “Muitos procedimentos podem ser feitos num ambiente ambulatorial, sem necessidade de uma estrutura hospitalar de alta complexidade que tem um custo elevado”, disse o executivo. O primeiro hospital- dia do grupo foi inaugurado nesta semana em São Paulo, com investimento de R$ 9 milhões. Essa unidade tem dez andares, 22 consultórios e 25 leitos.
 
Conhecido no mercado por ser conciliador, Magalhães fez carreira no grupo. Começou em 1983 como residente de pediatria no Hospital Mario Lioni, em Duque de Caxias, no Rio - primeiro hospital do empresário Edson Bueno, fundador da Amil. Atuou apenas seis anos como pediatra e logo depois enveredou para a gestão hospitalar. Em 2012, poucas semanas após a Amil ter sido vendida à americana UnitedHealth, a operadora anunciou a aquisição de um grupo hospitalar em Portugal, por € 85 milhões. “Confesso que, no começo, não acreditava muito nesse negócio, mas durante o processo de diligência me apaixonei pelo projeto. Pedi para assumir a operação e mudei para Portugal”, contou Magalhães, que permaneceu no país por cinco anos. Neste período, fez a integração dos seis hospitais e reverteu o resultado deficitário.
 
Em 2018, quando a UnitedHealthcare comprou o grupo de saúde Banmédica, foi transferido para o Chile. Lá, comandou o negócio formado por uma operadora e 13 hospitais localizados no país e também nos vizinhos Peru e Colômbia. O executivo permaneceu no Chile por um curto período, de 14 meses, e foi chamado por Molly Joseph, CEO global da companhia, para assumir a operação brasileira, que é a maior da UnitedHealthcare fora dos Estados Unidos. No país, além da Amil, que tem 5,3 milhões de usuários de planos de saúde e dental, o grupo é dono de 35 hospitais como Samaritano, Pró-Cardíaco, entre outros. “Há um tempo havia sinalizado minha vontade de um dia voltar para o Brasil”, contou o executivo.
 
Magalhães disse ainda que vai continuar o trabalho de atenção primária que a Amil já vem desenvolvendo e uma de suas prioridades será a redução do custo da saúde. “Como líder do setor, vamos liderar esse processo. Não é normal que somente 25% da população tenha plano de saúde”, disse o novo presidente que, entre uma reunião e outra, ainda procura uma casa para morar em São Paulo.
 
 
Fonte: Valor




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