Combater altos custos é essencial para o futuro dos planos de saúde
20/09/2019

Os gastos de assistência à saúde têm aumentado de forma persistente e muito acima da inflação nos últimos anos. Sustentabilidade dos benefícios depende de gestão baseada em resultados

Os custos com planos de saúde, que sofrem reajustes médios anuais de cerca de 10,9%, podem ameaçar a sustentabilidade do sistema de saúde suplementar no longo prazo. O financiamento desse sistema, que atende 47 milhões de pessoas, custa atualmente à sociedade R$ 198 bilhões. Os planos coletivos empresariais são responsáveis por 70% desse investimento. A situação é agravada pelo fato de que esse valor expressivo não necessariamente reflete a melhoria na qualidade dos serviços.

Na visão das empresas contratantes de planos de saúde que integram o Grupo de Trabalho em Saúde Suplementar, coordenado pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), são quatro os principais motivos para essa forte alta nas despesas com planos. O primeiro é a deficiência na assistência preventiva.

O segundo é que a lógica de remuneração dos prestadores de serviço é baseada no número de procedimentos executados, e não no resultado obtido no tratamento dos pacientes. O terceiro é a adição de tecnologias ao rol de procedimentos mínimos a serem providos pelos planos de saúde, sem a devida análise da relação entre a efetividade da tecnologia e o custo da sua incorporação. O quarto problema identificado é a dificuldade de acesso aos dados agregados de saúde dos beneficiários.

Para Emmanuel Lacerda, gerente executivo de Saúde e Segurança na Indústria do Sesi, o cerne da questão está em melhorar a transparência, a integração e a qualidade das informações sobre o uso dos planos de saúde. A partir daí, será possível melhorar o atendimento aos pacientes e ao mesmo tempo combater desperdícios, desvios e uso indiscriminado do benefício. “São torneiras que precisam ser fechadas para aumentarmos o controle dos custos do setor”, completa Lacerda.

Para apresentar propostas que podem combater a alta dos gastos e direcionar as estratégias do setor, a CNI preparou no ano passado uma agenda para aumentar a competitividade da indústria e do Brasil e para elevar o bem-estar da população ao nível de países desenvolvidos. No setor de saúde suplementar, o relatório apresenta as deficiências que fazem com que o setor privado assuma parte da responsabilidade na promoção, prevenção e recuperação da saúde do brasileiro.

COOPERAÇÃO

O Grupo de Trabalho em Saúde Suplementar é exemplo do esforço das indústrias nesse sentido. Criado há dois anos, conta com 68 grandes empresas que têm quase 3 milhões de beneficiários de planos de saúde. O objetivo é estimular a cooperação entre empresas para construir propostas de políticas públicas e permitir trocas de experiências para otimizar custos e aprimorar a gestão de saúde pelas empresas. Confira no quadro ao lado as seis frentes prioritárias do grupo.

Para Fernando Mariya, gerente médico Brasil da Procter & Gamble (P&G), uma das empresas que integram o grupo coordenado pelo Sesi e pela CNI, um dos principais avanços que a iniciativa trouxe foi um maior protagonismo das empresas contratantes em um diálogo aberto com governo, operadoras e prestadores de serviços de saúde.

“Esperamos que todos os atores do setor trabalhem como parceiros e tragam ideias e soluções para que as pessoas se mantenham saudáveis”, destaca. “É importante lembrar que hoje estamos em busca de qualidade e resolutividade.”

SERVIÇO

II Seminário Internacional Sesi de Saúde Suplementar, no dia 24 de setembro, no World Trade Center, em São Paulo





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