No Dia Mundial de Combate ao Estresse é Preciso Falar Sobre Burnout
24/09/2019

Distúrbios do sono, fadiga, dor de cabeça e problemas cardiovasculares. Estes são alguns dos sintomas da Síndrome de Burnout, uma exaustão física e emocional que acomete profissionais ao redor do mundo. Por isso, no Dia Mundial de Combate ao Estresse, 23 de setembro, a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo chama atenção para o tema. De acordo com pesquisa da Associação Internacional de Manejo do Estresse (ISMA), 72% dos brasileiros sofrem com estresse no trabalho, dentre os quais 32% têm Burnout.

A psicóloga Jennifer de França Oliveira Nogueira, diretora executiva do Departamento de Psicologia da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), explica que a síndrome é uma resposta do organismo ao estresse laboral crônico e se caracteriza em três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e falta de realização pessoal, as quais implicam em consequências físicas, psíquicas e sociais. “Há maior probabilidade de surgir onde há um grande desequilíbrio entre a exigência de trabalho desenvolvido pelo profissional e as condições do ambiente profissional, com sobrecarga de horas, salário incompatível com o mercado e divisão não equilibrada das tarefas”.

Os principais sintomas psíquicos são dificuldade na atenção e na memória, lentidão no pensamento, sentimento de solidão, baixa autoestima, desânimo, depressão e impaciência. No caso comportamental, nota-se irritabilidade, excesso de escrúpulos e agressividade. “Também é possível ver que o paciente tem sentimentos defensivos, como onipotência, perda de interesse no trabalho ou no lazer, tendência ao isolamento, ironia e absenteísmo”, afirma Jennifer.

Todos esses sinais podem levar ao adoecimento do organismo, pois potencializam a falta de cuidados com a saúde, levando a pessoa a se alimentar de forma inadequada, ser sedentária e até aumentar o consumo de álcool ou tabaco. “Dessa forma, o Burnout é um fator facilitador de problemas cardiovasculares, como hipertensão arterial, aumento da glicose e colesterol no sangue, entre outros, podendo agravar, inclusive, doenças pré-existentes”, diz o presidente da Socesp, o cardiologista Dr. José Francisco Kerr Saraiva.

Para Jennifer, apesar de ser uma síndrome grave é possível combatê-la: “com a implementação de ações preventivas e de promoção à saúde em duas frentes, uma individual e outra organizacional”, explica. No âmbito particular, medidas comportamentais, como programas que auxiliam na diminuição do estresse e desenvolvam qualidades positivas (senso de significado, pertencimento, satisfação no trabalho). Além de busca por diagnóstico e tratamento médico e psicoterápico.

No organizacional, melhorar o ambiente e condições de trabalho, com programas de valorização do funcionário, autonomia de participação e decisão, resolução de problemas de forma justa, alocação em cargos e funções adequadas, equilíbrio nas demandas, dentre outros. A procura por um profissional adequado e o início precoce do tratamento são formas de reduzir as consequências da doença no organismo. “Em alguns casos, é necessário o afastamento laboral para a recuperação. O tratamento, geralmente, é medicamentoso e com psiquiatra, além de psicoterapia com psicólogo”, finaliza.

 

Fonte: Anahp




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