IA ainda é pouco usada por médicos brasileiros como apoio a diagnóstico
26/09/2019
No Brasil, os profissionais da área da saúde sentem-se desconfortáveis com a aplicação de inteligência artificial (IA) no apoio a decisões clínicas e cuidados com o paciente. A conclusão consta do relatório Future Health Index (FHI) 2019, estudo publicado pela Philips.
 
Segundo o estudo, o potencial da IA é pouco explorado pelas instituições de saúde no país, uma vez que os profissionais aceitam melhor a tecnologia na automação de tarefas simples como o agendamento de pacientes e o controle de escala dos profissionais, citadas por 81% dos entrevistados como exemplos de adoção.
 
Embora 45% dos profissionais brasileiros tenham declarado que utilizam recursos de IA em sua prática - média próxima da global (46%) -, ainda há resistência quando a tecnologia avança para áreas do domínio médico. A IA foi citada por menos da metade dos profissionais no apoio a diagnósticos (48%) e recomendação de tratamentos (46%). Apenas 24% dos médicos entrevistados pretendem utilizar recursos de IA para melhorar a acurácia de diagnósticos.
 
Roy Jacobs, líder global da área de saúde pessoal da Philips, lembra que a IA será utilizada para ajudar os médicos e também para educar a população no autocuidado. “A tecnologia nos permitirá conhecer o paciente, coletando e analisando dados sobre seus hábitos e saúde, indicando os melhores tratamentos”, afirma o executivo, lembrando que a IA será a base para a medicina personalizada.
 
Outro tema sensível para os profissionais de saúde brasileiros é a segurança digital. Preocupados com a perda das informações, eles evitam trocar dados, especialmente com especialistas que não fazem parte da mesma equipe. O compartilhamento das informações também é dificultado pela falta de integração dos sistemas instalados em hospitais, clínicas e laboratórios.
 
De acordo com o estudo, 61% dos entrevistados relataram preocupação com a privacidade dos dados; 55% com a segurança digital; 49% se queixaram da falta de acesso a sistemas para compartilhar informações; e 43% relataram problemas com a interoperabilidade dos sistemas.
 
O estudo ainda identificou outra característica dos brasileiros: somos mais propensos a adotar aplicativos ou dispositivos para acompanhar os indicadores de saúde quando há recomendação. Do total de pacientes entrevistados, 39% disseram que usariam soluções de saúde digital se fossem encorajados por seus médicos.
 
A informação é importante para os fabricantes e desenvolvedores que pretendem estabelecer estratégias para ampliar o uso dessas soluções.
Os dados apurados pela Philips mostram que o Brasil está atrás da média mundial quando se trata da adoção de dispositivos e aplicativos. Dos entrevistados, 27% usam recursos digitais para monitorar a atividade física; 24% para controlar o peso; 20% para registrar hábitos alimentares; e 15% para monitorar batimentos cardíacos e pressão arterial.
 
 
Fonte: Valor




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