Com supercomputador, francesa Atos amplia produção no Brasil
07/10/2019
Empresa de tecnologia com receita global de € 12,25 bilhões, mas tímida na América do Sul, a francesa Atos começa a sair da sombra na região, com uma nova estratégia. Em março vendeu um supercomputador para a Petrobras, o Fênix, o mais poderoso da América Latina e cuja maior parte do processo de montagem foi feita no Brasil. Agora, prepara-se para, a partir de 2020, produzir, com um parceiro local, sistemas de computação com alta capacidade de processamento que podem ser usados em chão de fábrica e a bordo de automóveis, por exemplo. Conhecidos como “edge computing”, ou computadores de borda, essas máquinas, hoje importadas, são voltadas a aplicações de inteligência artificial. A demanda para 2020 é prevista de 100 a 200 unidades.
 
A montagem de computador de alto desempenho, ou supercomputador, começou no Brasil há pouco mais de um ano. O Fênix, vendido à Petrobras por dezenas de milhões de reais, com tecnologia da Bull, fabricante francesa comprada pela Atos em 2014, teve cerca de 80% de sua montagem feita no país. Possui 55.296 gigabytes de memória e 48.384 núcleos de processamento. A Atos contrata fabricação e importação de peças, como servidores, armazenamento, componentes de interconexão e software. Mas a inteligência que compreende o desenho da arquitetura e a integração dos componentes para que isso se torne um supercomputador está no Brasil, explica Luis Casuscelli, diretor de “big data” e segurança da Atos na América Latina.
 
O projeto do Fênix resultou na criação do mais poderoso supercomputador da região latino-americana para processamento geofísico. Não é à toa que seu nome foi inspirado no pássaro da mitologia grega que renascia das cinzas e possuía grande força para transportar cargas pesadas em pleno voo. Em junho, foi listado na 142ª posição do Top500, site que lista os maiores supercomputadores do mundo.
 
Instalado no Rio de Janeiro, o Fênix é um dos quatro supercomputadores da Petrobras para processamento geofísico, que aplica algoritmos matemáticos de alta complexidade para gerar imagens do subsolo das bacias sedimentares. Esses equipamentos são essenciais para o processo de exploração e produção de petróleo, desde a aquisição de novas áreas exploratórias até o desenvolvimento e produção de campos de petróleo, informa a Atos. A expectativa da Petrobras é que sua capacidade de processamento em 2020 seja 15 vezes maior do que em 2018.
 
O aumento de capacidade permite a obtenção de imagens com maior definição e resolução. Isso, segundo a Atos, contribui para reduzir riscos geológicos e operacionais, aumentando a rentabilidade dos projetos de exploração e produção da Petrobras.
 
A subsidiária francesa desenvolveu ainda outro dos maiores supercomputadores da América Latina, o Santos Dumont. O equipamento está instalado no Laboratório Nacional de Computação Científica do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), no Rio de Janeiro. Em 2015, o Santos Dumont também figurou em posição semelhante à do Fênix no ranking Top500.
 
A transformação do negócio da Atos começou em março deste ano, quando o então diretor-presidente da empresa na América do Sul, Yves Guillaumot, se aposentou, depois de quatro anos no cargo, e deixou em seu lugar Nelson De Lorenzi Campelo. Foi a primeira vez que um brasileiro, e não francês, assumiu o comando da subsidiária. Conhecer bem o país foi considerado importante para mudar o portfólio de tecnologia e serviços da empresa, que concorre em várias áreas com rivais como IBM, Capgemini, HP e Accenture.
 
Campelo, de 58 anos, é conhecido da área de tecnologia. Gaúcho, começou sua carreira pela IBM, passou pela Nokia e Avaya. Depois, decidiu investir em novos negócios, tornando-se sócio e diretor-presidente da Ustore, uma startup especializada em armazenamento de grandes volumes de dados, com sede no Porto Digital de Recife (PE). O negócio envolvia a Atos como um dos integradores de sistemas. Alinhado com sua estratégia de gestão, Guillaumot o indicou para sucedê-lo.
 
Os resultados do trabalho de Campelo combinados com o de seu antecessor já apareceram no último relatório financeiro do grupo. No segundo trimestre de 2019, a receita cresceu 1,1% no Brasil e 40,6% na América do Sul. No semestre, o avanço foi de 0,8% e 15%, respectivamente. “Espero manter o crescimento de 15% [na região] ao longo do ano”, diz Campelo. Com suas operações divididas em nove regiões geográficas, a Atos não revela o valor da receita por país.
 
O grupo francês é um dos maiores integradores globais das tecnologias do Google para serviços em nuvem e inteligência artificial. Campelo diz que está fazendo uma aproximação com o gigante de internet para trazer esses serviços para a América do Sul. “A maioria dos clientes [da Atos] na América do Sul é global, mas com projetos locais. Queremos clientes locais para serem globais.” Ele lembra ainda que a Atos integra todas as empresas de tecnologia dos Jogos Olímpicos há mais de 20 anos.
 
Atualmente, a companhia tem uma aliança com a Accept, do grupo Positivo, para montar servidores para seus clientes. A montagem é feita em Ilhéus (BA).
 
A Atos tem um centro de desenvolvimento de software em Londrina (PR) com 500 dos 1,7 mil funcionários que mantém no Brasil. Em Buenos Aires, tem outra unidade, com 900 pessoas.
 
Fonte: Valor




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